Atenção tripulação: preparar para decolagem!!!


Vai decolar!

Começaram os jogos olímpicos de Londres. Sensacional evento de integração mundial, com atletas de centenas de países se apresentando e dando o melhor de si para bem representar seus povos e suas qualidades. Ou, talvez, não! Bem, a primeira pergunta que me vem à cabeça é: por que a nossa ginasta Jade não quis vestir a camisa dos patrocinadores, resultando em seu corte da equipe de ginástica? Pouquíssimos comentários. O portal do Terra justifica a situação como divergência com patrocinadores. Mas que divergências foram essas? Um momento culminante para um atleta como uma olimpíada seria desconsiderado assim? Pouquíssimos comentários, quase nenhuma análise, quase nenhuma explicação.... E as controvérsias com a nadadora Joanna Maranhão? Me cheiram a "meias-verdades"... Mas, em Londres, a bola segue rolando, onde não tem bola as competições se desenrolam, e vamos ver que papel fará o Brasil.

Mas acho que o critério de premiar cada modalidade com apenas uma medalha para o país é injusto! Se o atleta que corre 100 m e chega na frente computa uma medalha para o seu país, na minha opinião a competição de vôlei deveria contar tantas medalhas quantos jogadores foram inscritos! E assim também para o futebol, o remo, o basquete... Não exige muito mais treinamento, investimento, estratégia, o jogo em equipe?

Lembro de novo da reportagem que falava das fotos do capitão Carlos Lamarca assassinado (artigo da semana passada). E me ocorre a história de um país longínquo, onde bem ou mal o povo era representado através de métodos democráticos. Um belo dia - quer dizer, um horrível dia, um grupo de militares resolve que aquela democracia não servia a alguns interesses e resolve mandar de acordo com o que ELES acreditavam ser o melhor para o povo daquele país.

De cara, na minha opinião, já derrubaram a democracia. Não é só opinião minha, mas de todos os democratas: nenhum grupo pode impor sua opinião e sua vontade. O grande mérito da democracia está justamente neste aspecto: as distintas opiniões são consideradas, opiniões divergentes são respeitadas, negociações são estabelecidas para se chegar a um acordo. O resultado pode não ser o ideal para um grupo, mas o que é combinado não é errado, como diz o ditado. E todos ficam convictos de que houve negociação, transigências, até renúncias para se chegar a um acordo. Diferente de um grupo de militares, considerando-se donos da verdade, influenciados, estimulados e protegidos por repúblicas ao norte do equador, resolverem que irá prevalecer sua própria opinião. Mas foi o que aconteceu naquela república distante, naquele horrível dia.

Tal grupo de militares não suportava opiniões contrárias e criou novas leis e até alterações à constituição daquele país, saídas de suas cabeças, sem ouvir a sociedade e sem dar satisfações a oposicionistas, criando dois únicos partidos. (Coincidência, não? Seriam, também lá, chamados de MDB e ARENA, como se dizia aqui, o partido do "sim" e o partido do "sim, senhor"?). Aliás, logo começaram a chamar os opositores de inimigos da revolução (assim eles classificavam o golpe que aplicaram - revolução...), e prendiam, perseguiam, fechavam jornais que discordavam, censuravam... em português vulgar, estraçalharam com a democracia que começava a se formar naquele país - repito, distante.

Vozes começaram a se erguer, divergindo, contrapondo-se, repudiando medidas, mas os militares foram ficando mais intransigentes, prendiam, ameaçavam, torturavam quem julgavam serem inimigos.... e alguns grupos de pessoas, inconformadas, resolveram reagir de forma mais enérgica, organizaram-se, conclamaram o povo, alguns chegaram mesmo a se armar...

Para o grupo de militares, apoiados por algumas classes sociais que se beneficiavam da situação, esses opositores eram terroristas. Assim foram classificados, assim foram apresentados à sociedade pela imprensa subserviente, muitos morreram sob tortura, outros sobreviveram, outros ainda foram incinerados da mesma forma como conta o livro "Memórias de uma guerra suja" do jornalista Rogério Medeiros...

Lá nesse país distante os sobreviventes, os mortos, os desaparecidos, corajosos cidadãos que ousaram divergir e reagir a um regime autoritário e truculento, são hoje homenageados pela sua coragem e tratados como heróis. Eu também presto minha reverência a tantos quantos ousaram se opor, sacrificaram suas vidas, pensaram mais no povo de seu país que em si próprios, que em seu próprio bem-estar, e se lançaram a uma luta ferrenha para que aquela ditadura - poucos tinham coragem de reconhecê-la como tal - cedesse e voltasse a ser, a democracia, a forma natural de construção do poder naquele país!

E se a situação no Brasil tivesse sido similar a aquela? Quem conhece a história de nosso país? Aí vem aquele cidadão que citei no artigo da semana passada e chama Lamarca de traidor. Só posso considerar que esse cidadão não tem conhecimento da história! Porque, para mim, traidor é quem quebra, estupra e destrói a democracia e tenta impor ao país um regime que não atende aos interesses do povo desse mesmo país! Mas como eu disse, detesto meias-verdades, e vou interromper por aqui porque senão precisarei escrever um livro para expressar minha opinião - e meus distintos leitores não foram convidados aqui para tanta leitura!

Até a próxima!