Como contar medalhas em uma olimpíada?

Decolando...

Para um período agitado, um momento de repouso: uma foto do por-do-sol na Ilha das Caieiras, o qual pude assistir inúmeras vezes durante toda a minha infância!

Sem esquecer, também, das observações prometidas sobre as olimpíadas, antes que perca a graça...

Já comentei que considero injusta a distribuição de medalhas da forma que é: deveriam ser atribuídos a cada país, por conquista, um número de medalhas equivalente ao número de jogadores que participam da partida naquele esporte. Assim, país que conquistasse medalha em futebol, acumularia onze medalhas em seu quadro. Se conquistasse medalhas no vôlei de praia, duas medalhas a mais em seu quadro...

Mas observei ainda alguns dados que achei curiosos.

Normalmente, atletas que participam de olimpíadas são os mais talentosos, aqueles que se destacam mais em sua modalidade. E há um limite de inscrições por modalidade para cada país, permitindo assim que não haja predomínio de um país sozinho. Então, deduzi eu, quanto mais populoso um país, mais condições de selecionar a sua "nata", a sua excelência entre os excelentes, e conquistar mais medalhas. Por exemplo, um país com 100 milhões de habitantes teria 10 vezes mais chances de encontrar seu prócer - e este seria muito mais habilidoso - do que aquele com 10 milhões. Mas fui ver os números....

O primeiro número indica a classificação do país no quadro de medalhas; o segundo, o total de medalhas (a classificação é obtida a partir de medalhas de ouro, e não do total); em seguida o nome do país; sua população aproximada; e a relação de quantidade de medalhas para cada grupo de 10 milhões de habitantes:

1 - 104 - Estados Unidos - 308 milhões - 3,37

2 - 88 - China - 1.338 milhões - 0,66

3 - 65 - Grã-Bretanha - 50 milhões - 12,82 (foi sede dos jogos)

4 - 82 - Rússia - 143 milhões - 5,74

5 - 28 - Coreia do Sul - 48 milhões - 31,7

6 - 44 - Alemanha - 81 milhões - 5,39

7 - 34 - França - 65 milhões - 5,20

8 - 28 - Itália - 60 milhões - 4,64

9 - 17 - Hungria - 10 milhões - 16,83

10 - 35 - Austrália - 23 milhões - 15,22

11 - 38 - Japão - 127 milhões - 2,98

12 - 13 - Cazaquistão - 15,5 milhões - 7,43

16 - 14 - Cuba - 11 milhões - 12,5

17 - 12 - Irã - 75 milhões - 1,6

18 - 12 - Jamaica - 2,6 milhões - 46,1

20 - 6 - Coreia do Norte - 24 milhões - 2,5

22 - 17 - Brasil - 192 milhões - 0,89

36 - 18 - Canadá - 34 milhões- 32,1

42 - 4 - Argentina - 41 milhões - 0,97

Não encontrei muitos elementos de comparação, salvo que os países da Europa, grosso modo, tem a mesma média de medalhas por cada 10 milhões de habitantes: Alemanha, França, Rússia e Itália tem em torno de 5 medalhas nessa média. Surprendeu-me a Jamaica, campeoníssima segundo esse critério, com 46,1 medalhas na média! Mas, entre os países listados, o Brasil, com média de 0,89, só fica à frente da China, com 0,66. Perde também para a Argentina, essa com 0,97 na média.

Fui procurar outros critérios, e investiguei o IDH - Índice de Desenvolvimento Humano e o Coeficiente de Gini - Índice de Desigualdade, de alguns países. Nesse caso, só há quatro países com IDH inferiores ao do Brasil, porém bem próximos, com classificação melhor: China, Cazaquistão, Ucrânia e Irã. Em compensação, há vários outros com melhores índices (IDH) e pior classificação. No fundo, talvez a realidade seja nua e crua: não se prestigia o esporte em nosso país como se deveria! Algumas correntes defendem o afastamento do estado da sociedadae civil, porém não vejo outra alternativa: os governos precisam dar mais atenção ao esporte entre a juventude. Como fazer isto com a iniciativa privada?

Não estamos melhorando significativamente, e acho que olimpíada seja apenas um indicador. Mas um indicador de peso! Veja-se a evolução.

Segundo o critério oficial, em 2012 o Brasil ficou em 22 º lugar com 17 medalhas. Em 2008, havia ficado em 17 º com 15 medalhas. Em 2004, havia ficado em 21º com 10 medalhas. No ano 2000, em 22 º com 12 medalhas. Em 1996, em 18 º com 15 medalhas. Em 1992, em 31º com 3 medalhas. Em 1988, em 23 º com 6 medalhas. Em 1984 e 1980, houve boicote mútuo entre Estados Unidos e União Soviética, "um não vai na casa do outro", e daí para trás abandonei a pesquisa.

As tabelas, em PDF, estou disponibilizando AQUI, para quem quiser dar uma olhada.

Até a próxima!