E viva a democracia!

Decolando...

Como é fantástica a democracia! Mesmo quando os resultados nos são adversos! Fazem-nos pensar, recuar, reavaliar, rever, refazer, humildemente aceitar que há outras opiniões - e admitir que aqueles que tem outra opinião também participem, se manifestem, dirijam de acordo com seu ponto de vista! E após um período, voltamos a repetir o processo e refazer reflexão, fundamentação, projetos e direção.

Não apenas direção de estratégia, mas direção de condução. Direção de governança.

O que me incomoda, no entanto, não é a democracia. A agonia nasce da afirmação corrente de que as campanhas políticas custam caro! Então é preciso haver dinheiro para a apresentação, defesa e posterior execução de idéias! Daí eu concluo que democracia não é só uma questão de escolha de idéias, de debate, de análises de prós e contras, mas de dinheiro para apresentação dessas idéias... Não parece absurdo? Vai prevalecer quem tiver mais recursos! Terá mais "bala na agulha", como se diz na gíria, para martelar opiniões!!!

Como a maioria do povo brasileiro, também condeno corrupção - não me interessa se ativa ou passiva -, roubo, favorecimentos pessoais, peculato, apropriação indébita e quaisquer outros usos do poder público que não seja para os fins públicos estabelecidos em lei.

Mas fico me perguntado: como um cidadão - ou mesmo um partido político - conseguiria arcar com uma campanha eleitoral, pressupondo seu alto custo? Dizem que em Vitória, capital capixaba, uma campanha para vereador custa em torno de um milhão de reais!!!

Não importa se verdade ou mentira esse montante. O certo é que não fica apenas na apresentação de idéias, divulgação de concepções de sociedade ou debate de propostas.

Imprimir folhetos, pagar pessoal para distribuir os mesmos, confeccionar bandeiras, adesivos, veículos motorizados com sonorização, etc... deve valer uma fortuna! O TSE já divulgou dados mostrando que uma campanha presidencial não fica por menos de cem milhões de reais!

Já li que "caixa 2" é fato corriqueiro e praticado por TODOS os partidos. Entretanto, não é permitido por lei, mesmo que não alimentado pelos cofres públicos.

Nada disto justifica a corrupção. Apenas fico pensando em como contornar tais custos para nenhum cidadão ficar tentado a se aproveitar de recursos públicos.

De tal discussão surgiu a proposta de financiamento público de campanha. Em artigo anterior falei também de outras propostas, particularmente as levantadas pelo professor Rafael Simões e pelo professor Marcos Cavalcanti. Eu também apresentei minha proposta de sortear alguns parlamentares dentre os cidadãos eleitores. Nada gastariam, e se acreditamos em estatísticas, estatisticamente estariam representando o pensamento de uma parcela da sociedade.

Há muito por fazer e debater. Só não admito, de minha parte, corrupção e meias-verdades como apresentadas por alguns, como se santos fossem! Passadas as eleições proporcionais (vereadores), a temporada de debates está aberta! Pelo menos aqui nesse blog!

Até a próxima!