Encontro da Família Teubner

encontro teubner

Navegava eu na Blogonave, já alçada a mais de 1.500 visitas, trilhando as lembranças de mais de 20 anos atrás, rememorando alguns outros detalhes da Ilha das Caieiras, quando revivi antigos Encontros da Família Teubner. Evento anual, já realizado por mais de 20 vezes, reúne os descendentes e agregados do nosso bisavô Friedrich Teubner. Imigrante da Alemanha, veio a falecer em Santa Teresa, em acidente de ônibus, em tempos de muita chuva na região. Contam os mais velhos que na estrada escorregadia e barrenta o ônibus deslizou e tombou. Ninguém sabe como êle conseguiu saltar pela janela. Mas não foi feliz: morreu esmagado pelo veículo em seu tombo, único a falecer naquele acidente.

Pois bem, nosso encontro, agregando descendentes e amigos, será realizado em 2012 no dia 9 de dezembro, no sítio do Jacaré. Cada um leva seus comes e bebes, e lá se partilha em feliz encontro os temperos de cada um em belíssimo almoço comunitário.

encontro teubner

Retornando ainda mais no tempo, em cêrca de 50 anos, não localizei, em minha memória, onde moravam seu Maneco (pai de Jorge - Siri - e Tião), Darci, seu Juvêncio, Joãozinho e Lica, Maninho, Vavá e Roxinho, Pituca – o fantástico (pelo menos na minha opinião) goleiro do Racing (e pronunciava-se “racingue” mesmo) que depois foi sucedido por Laurindo -, Berció... Aliás, Berció protagonizou um capítulo à parte na minha infância: pelo que lembro, era um morador de rua (já naquele tempo e na Ilha da Caieiras), e foi acometido de doença que desconheço, porém que o fazia gemer noites e noites seguidas, e tão alto que era ouvido a quilômetros de distância. Lembro que do sobrado onde morávamos, que ficava mais próximo ao ponto onde êle permanecia à noite, talvez uns 300 metros, ouvíamos nitidamente seus gemidos agudos e angustiantes! Era um “aaaiiiiiiiiiii” prolongado e amedrontador! Até que certa noite, segundo consta em minha memória com vários baites inoperantes e muitos outros enferrujados, ele pediu ao seu Antonio sete-voltas para dormir sob uma cobertura feita com palhas de coqueiro, muito comuns nas casas da Ilha, onde seu Antonio guardava seu material de trabalho – era uma espécie de oficina no quintal. Pela manhã, entretanto, jazia Berció sobre os materiais do abrigo, falecido já há algumas horas. Encerrava-se o capítulo do doente que gemia feito lobo, em suas noites de agonia!

Com a ajuda dos primos, vamos montando o quebra-cabeças do que existia e do que é pura fantasia de minha parte. E justiça seja feita, no artigo anterior, ao comentar sobre o terreno adquirido por meu avô para estender a rua, não mencionei a colaboração efetiva e ativa participação no aterro dos seus genros Toninho e Carolo. Eles também trabalharam duro para que o aterro entre a Rua dos coqueiros e a rua principal fosse concretizado.

flores sitio

Lembro que o campo do Racing não era transversal como hoje: suas traves ficavam uma a cada lado do morro, e me fez pensar que fosse resultado de aterro, uma vez que nas laterais do campo havia manguezal, depois aterrado e hoje urbanizado. Segundo minha tia, esse primeiro campo, de fato, já foi resultado de aterro sobre o mangue. O que explica por que era ilha: o mar a cercava por todos os lados! Também lembro os casarões antigos, que diziam terem pertencido aos jesuítas, e sempre em posição onde um ficava perfeitamente visível ao outro, ao longo da costa: sobre a pedra que fica mais para leste em relação ao campo de futebol havia um desses casarões, onde morou a família Gasparini, parente dos Gasparini que moravam no alto do ponto conhecido como Baracho. Dessa casa sobre a pedra era visível o outro casarão que ficava onde hoje se instalou a FAESA S. Pedro. Havia um terceiro casarão, já nas cercanias de Inhanguetá, também imponente, mas nada restou dos mesmos. A casa onde moravam meus avós, Duca e Aninha, no sítio do Jacaré, diziam que era dos tempos dos Jesuítas. Ainda resta uma antiga caixa dágua, de onde saía o abastecimento para o chafariz da Ilha das Caieiras, caixa esta visível na foto abaixo.

caixa dagua sitio

Muito me incomodava, nesse tempo (por volta de 1960), a provocação que me faziam, por ser minha voz bastante aguda, chamando-me de “mulherzinha”. Os mais velhos diziam que era devido a uma bifurcação que tenho na úvula, que alguns primos chamavam de “língua de cobra”. Outros provocavam chamando-me de “fala-fino”. Tanto era o incômodo que minha voz persistiu, mesmo após a adolescência, entre um contralto feminino e um rouco forçado. Vários conselheiros, dentre eles o Irmão Natal e o Padre Mateus, me sugeriram procurar ajuda médica, o que nunca me recusei. Encaminhado por eles aos maiores especialistas em otorrinolaringologia de Vitória, à época, e eu já com meus 18, 19 anos, ouvi o diagnóstico de que nada tinha de anormal, ou de que se tratava de um calo nas cordas vocais. Quem me conheceu na época “se lembra da minha voz”... rs. Foi só quando conheci minha amiga Ana Maria Pereira, fonoaudióloga de primeiríssima linha, que pude de fato trabalhar, com diagnóstico dela, a voz que hoje me acompanha. Impressionante: foi diagnóstico à primeira vista! Ao ser apresentado a ela e cumprimenta-la, ela já confidenciou ao, na época, namorado: “essa voz não está correta”. Fui informado por ele, e de imediato estabelecí os encaminhamentos com essa excelente profissional, grande amiga até a atualidade.

E segue a blogonave. Há muitas histórias para contar, como se diz, mas é preciso tempo para relatar, e ainda é preciso preparar a festa da família Teubner. Portanto, melhor parar por hoje.

Até a próxima!