Adeus, Timbeba.

Timbeba na formatura

A vida, por vezes, nos prega peças dolorosas!

Quem poderia supor, por exemplo, que logo no início desse ano perderiamos, intempestivamente, um amigo e colega de turma? Alegre, sorridente, animado, prestativo - assim era nosso Timbeba, um dos valentes que ousaram apostar em um novo curso que a UFES propunha.

Isto porque, no ano de 1972, só havia duas modalidades na Escola de Engenharia: civil e mecânica. Correu um abaixo assinado entre os alunos do segundo ano básico da faculdade, ainda no prédio de Maruípe, pesquisando quantos interessados havia num provável curso de Engenharia Elétrica, a ser implantado naquela unidade. O curso ainda não exisitia, e seu reconhecimento só se deu dois anos após a formatura da primeira turma.

Vários colegas se interessaram, mas muitos temeram que, por ser uma primeira turma, o curso acabasse não se consolidando e os "aventureiros" perdessem seu tempo e sua perspectiva tendo que recomeçar uma nova opção dentre as já existentes: civil ou mecânica.

Alguns ousados persistiram e outros colegas, já cursando engenharia fora do estado, vieram se juntar àqueles intrépidos jovens que se propuseram a ser uma espécie de cobaias na implantação de nova especialidade da engenharia na UFES.

Os laboratórios eram improvisados, não existiam equipamentos apropriados, componentes eletrônicos para as aulas eram por vezes até adquiridos pelos próprios alunos. E são muitas as histórias daqueles laboratórios heróicos frequentados pelos primeiros alunos da turma de engenharia elétrica, curso que ainda desafiava os mais incrédulos.

A aposta vingou, formou-se a primeira turma, o curso foi reconhecido e entre esses visionários se encontrava o jovem Gilson Pedreira da Silva, nosso Timbeba!

Foi um choque receber o email, dia 30 de janeiro, de outro colega de turma, Eduardo, comunicando:

"Informo que recebi, hoje pela manhã um telefonema de um amigo, relatando que foi procurar, ontem, o Gilson, em sua residência, porque não conseguia se comunicar com ele, e acreditem, foi informado pelo porteiro do prédio, que o Gilson tinha falecido, ha uns quinze dias atrás."

Como disse ainda outro colega, Márcio Borges, a quem peço licença para transcrever:

"Difícil acreditar nessa fatalidade, mas este é o destino determinado pelo Criador, e temos que aceitar isso.

O Gilson já se foi, pior é a família e os amigos que ficaram, com muitas lembranças, saudades, enfim tudo aquilo que ele representou para todos em sua trajetória de vida.

Assim, só nos resta rezar para que Deus lhe dê um bom e merecido descanso, e que em nossas memórias possamos sempre tê-lo por perto, como aquele amigo e colega sempre prestativo, que em tantas oportunidades e momentos nos brindou com sua convivência e amizade.

Todos nós gostávamos muito dele, mas eu, particularmente, não posso esquecer o seu desprendimento e coleguismo ao me defender e acho até a brigar com o colega da Turma da Engenharia Civil, (defendendo) a minha indicação para ser o orador das três turmas (Elétrica, Mecânica e Civil) em nossa festa de formatura.

Me lembro muito bem disso, ele tomando a frente da minha defesa, visto eu não poder falar nada naquele momento difícil que passávamos.

...

Pior foi o meu discurso, que tive que ter a aprovação do DOPS na época, e tive que ir lá na Policia Federal, pessoalmente, apresentá-lo e receber o carimbo de aprovação.

E o Gilson, ... me lembro, foi o primeiro a lê-lo e verificar se estava nos conformes para os 'homi' lá do Poder. Difíceis, mas muitos bons tempos aqueles, em que éramos felizes à nossa maneira... mas não sabíamos.

Forte abraço a todos, neste triste momento da partida de mais um grande colega e amigo Gilson, o Timbeba, onde também devemos lembrar os demais que da mesma forma já se foram: Geraldo, Henrique, Renato e mais recentemente o Jairo. E que Deus nos ajude a todos nós a irmos continuando a nossa missão neste mundo, segundo a sua vontade."

Ao nosso querido Timbeba, fica aqui nossa sincera homenagem - mesmo que póstuma!

Até a próxima!