Cuidado com as bactérias!

pesquisa sobre doenças

Esse é um título que caberia muito bem no artigo publicado pela página de saúde do IG: CUIDADO COM AS BACTÉRIAS. Mas aqui começa a discussão sobre liberdade de imprensa e liberdade de expressão.

Sou defensor intransigente da liberdade de expressão. Qualquer cidadão tem o sagrado direito de se manifestar e exprimir sua opinião sobre qualquer assunto que seja! Se as autoridades não querem ser criticadas, desafiadas, ouvirem discordâncias sobre suas ações, que não se estabeleçam como autoridades! Uma autoridade não é um ente superior aos cidadãos, mas um cidadão com responsabilidades maiores que o cidadão comum, responsável por ações e atitudes que pesarão sobre toda a sociedade, e não alguém que deva ser venerado.

Mas esse direito sagrado do cidadão comum se manifestar, na minha opinião, não deve se estender ao poder econômico. Exatamente porque o poder econômico vai além da capacidade do cidadão comum, ou mesmo de uma autoridade, de expressar seu ponto de vista! A imprensa, para ser imprensa, precisa de poder econômico – e aí a liberdade de opinião desanda!

Sabemos que esse princípio é usado por muitas autoridades ao longo dos tempos, como revela a história: ”uma mentira se torna verdade depois de muito repetida” diz a máxima nazista. É o que acontece com a imprensa: se for do seu interesse (quer dizer, do poder econômico que a sustenta) que uma mentira se torne verdade, ou pelo menos “o certo” para a maioria da população, basta repeti-la inúmeras vezes!

Desculpe o número de voltas, leitor, mas finalmente cheguei ao iníco do artigo: um título, ou uma manchete, pode traduzir uma opinião implícita ou um ponto de vista, ou ainda transmitir uma visão de certo e errado, do bem e do mal, ou até um pré-julgamento de ações e atitudes de quem quer que seja, de acordo com o interesse do poder econômico.

Portanto, como vamos dar total liberdade ao poder econômico para “informar” - poderíamos até dizer “formar” - a opinião pública se versões alternativas – ou seja, versões analisados por quem tenha pontos de vista contrários – não são expressas pelos meios de comunicação? Deveremos, antes, na minha opinião, criar mecanismos que assegurem a diversidade de opiniões e então garantir que toda essa pluralidade seja expressada. A partir daí então que cada cidadão avalie e tome sua posição.

A manchete “Produção mundial de antibióticos está paralisada e ameaça a saúde” é a mais falsa que se poderia imaginar, ainda do meu ponto de vista.

Realizando a leitura do texto, percebe-se que a produção de antibióticos não está de fato paralisada: o que paralisou foi a pesquisa por novos antibióticos, particularmente para combaterem bactérias mais resistentes aos antibióticos já existentes. O texto é claro: a indústria farmacêutica reduziu a produção de novos antibióticos!

O texto informa ainda: "Marcos Antonio Cyrillo, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), pontua os fatores que contribuem para a letargia industrial na produção de novos antibióticos. Segundo ele, os medicamentos desta classe são usados por pouco tempo, mas exigem ao menos 10 anos de pesquisa. Diferentemente dos remédios para doenças no coração, que serão usados a vida toda, eles agem em problemas pontuais, revertidos em poucas semanas. Além disso, as patentes que regem a exclusividade na produção são expiradas após cinco anos, o que desestimula o investimento financeiro"

Fica fácil entender: pesquisar e produzir antibióticos não dá lucro! Simples assim!

Isso me remete a outra questão: saúde deveria ser objeto de lucro para quem quer que seja? Me parece um absurdo a mercantilização que a saúde do cidadão sofre atualmente! Pesquisas sobre saúde e doenças deveriam ser assunto de interesse público e assumidos por órgãos estatais e não objeto de iniciativas privadas que buscam de fato dar bons resultados para seus acionistas. Só que esses bons resultados são à custa do nosso bem-estar!

De fato, é outra questão discutir quem deve investir em temas relativos à saúde pública. Mas a manchete do texto em questão poderia indicar que “há mais sujeira por sob o tapete”. Pelo contrário, além de não dar pistas sobre a falta de pesquisas pela indústria farmacêutica no caso dos antibióticos (e em muitos outros casos) ainda deixa transparecer que o problema é com todas as classes de antibióticos, e não somente com novos produtos.

Esse é um exemplo de um caso. Portanto, não durmo tranquilo enquanto não regularmos a imprensa e sua forma de transmitir fatos e opiniões!

Até a próxima!