E o Brasil protestou! (Primeira parte)

cena da manifestação

Como se dizia antigamente, “do Oiapoque ao Chuí” houve manifestações populares e grandes mobilizações pelas ruas das cidades no último dia 17 de junho.

O Século Diário informa: “Os estudantes voltaram para as ruas de Vitória nesta segunda-feira (17). A partir das 17 horas os manifestantes começaram a se concentrar em frente à Ufes. Após seguir pela Reta da Penha, a massa humana de mais de 20 mil pessoas (segundo estimativas da PM), decidiu cruzar a Terceira Ponte.”...

“Alguns participantes do movimento diziam que o protesto era em solidariedade à criminalização dos movimentos sociais, que foram reprimidos violentamente pela polícia nos últimos dias nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Mas a profusão de demandas ia bem além dessa pauta.

Eles acrescentaram à pauta uma lista de reivindicações. Entre as demandas eles cobram o cumprimento das promessas feitas ao movimento contra o aumento; a não a privatização da BR-101; fim do Pedágio RodoSol/Terceira Ponte; revisão de planilhas do sistema Transcol; explicações sobre a “falsa redução tarifária”; investigação sobre a Federação Capixaba de Futebol; fim da criminalização dos movimentos sociais capixabas e um novo modelo de mobilidade Urbana para o ES e também criticam os gastos para a organização de grandes eventos como a Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíada.

'Chegou a hora do povo de Vitória sair às ruas novamente! Chega de bilhões por uma Copa do Mundo, chega de baixo investimento na educação, na saúde, na segurança. Chega de mortos nos corredores de hospitais. Chega de inocentes mortos por balas perdidas. Chega de mensalão. Chega de corrupção. Chega de tarifa absurda. Chega de trabalhar o dia todo e pegar um ônibus lotado. Chega de políticos milionários. Chega de redução de salário de professores. Chega de impunidade aos poderosos'. Esses são alguns 'desabafos' dos manifestantes postados nas redes sociais durante o protesto.”

De acordo com a página do IG “Milhares saíram às ruas de cidades brasileiras para participar de protestos contrários ao aumento das tarifas de ônibus, à corrupção, à realização da Copa, entre outras questões”

O Jornal do Brasil destaca que “As manifestações que se espalham pelo Brasil entram na sua segunda semana com um discurso que vai muito além das críticas ao aumento das tarifas de ônibus e extrapolam questões políticas e partidárias”. O jornal acrescenta a opinião de um manifestante: “O que não falta é motivo para protestar”. E segue a matéria na página eletrônica: “Um dos articuladores das manifestações no Rio de Janeiro, que prefere se manter anônimo, é claro em dizer que a perspectiva é muito objetiva: “O Estado não se tornará menos violento e menos corrupto. A repressão não vai parar. Mas nós também não”. Segundo o militante, a violenta repressão das forças policiais nos protestos em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro na última semana acabam dando mais força ao movimento. “Repressão é o melhor instrumento de consciência de classe. Indubitavelmente, quem está sofrendo a repressão nas ruas hoje sabe que está vivendo uma ditadura”, analisa, dando sua opinião sobre o que levou as manifestações a tal ponto:

“O que leva as pessoas às ruas é um somatório de coisas, desde roubos descarados nas obras da Copa e das Olimpíadas até o Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos. E não há muita diferença do que está acontecendo aqui para a Turquia atualmente ou para o Occupy Wall Street, de 2011. Em todo o mundo, o Estado está a serviço do poder econômico, dos lobbies, das máfias, em que o poder econômico faz o que bem entende e ninguém faz nada. Esse é um fenômeno global, e as pessoas estão cansadas”.

Um dos grandes impulsionadores das manifestações ao redor do mundo, segundo o ativista, é a internet. “Mesmo não estando no Rio, eu posso me conectar com o que está acontecendo ai. E a internet é uma grande ferramenta, no mundo todo. Eu posso conversar com gente da Turquia, dos Estados Unidos, de São Paulo, para falar sobre o processo revolucionário. Tudo isso se refletiu na rápida nacionalização do movimento. E não custa lembrar: não, definitivamente não são só R$ 0,20”, diz, referindo-se ao valor do aumento da tarifa dos ônibus. A repressão policial, para o militante, poderia ser menor se os movimentos sociais tivessem encampado a luta dos bombeiros por melhores condições de trabalho, em 2011, e a greve dos policiais militares durante o carnaval de 2012. “

O professor Carlos Vainer, de 65, dá aula no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), analisa que a participação dos jovens protestando no espaço urbano é fundamental em uma democracia, e usa como exemplo a cidade do Rio de Janeiro na questão do transporte.

“Os empresários dos meios de transporte público estão envolvidos com o governo. As cidades estão subordinadas a um punhado de empresários gananciosos, e não se respeita a necessidade da população. Os que estão se manifestando querem uma cidade viva, pertencente ao povo, e não uma cidade entregue a mega especuladores como Eike Batista e pessoas ligadas ao empresariado. E é impressionante como a questão urbana ganha uma enorme vigência. O estado, para evitar a mancha na imagem de que está tudo lindo no Brasil, quer deter o monopólio do espaço público. E é na praça pública que se demonstra a insatisfação, isso no mundo todo”, disparou.”

Na Internet, a página de “O Estado de São Paulo” traz como manchete que “Protestos reúnem 230 mil em 12 capitais e governantes viram alvo” , detalhando: “Uma nova onda de protestos, maior do que as anteriores e com um leque de reivindicações mais amplo, voltou a tomar conta das ruas de importantes cidades, em diferentes regiões, nessa segunda-feira, 17. A maior, em São Paulo, reuniu ao menos 50 mil pessoas, segundo estimativa da PM. Foi a quinta na capital paulista e a primeira sem confrontos abertos com a polícia. No final da noite, um grupo minoritário tentou invadir o Palácio dos Bandeirantes e foi repelido com bombas de gás. Em todo o País, cerca de 230 mil pessoas foram às ruas. As marchas foram caracterizadas sobretudo por expressões de rejeição da política institucional.”

“No Rio, 100 mil pessoas se reuniram nas imediações da Assembleia Legislativa, que virou palco de um violento confronto. Pelo menos cinco PMs e sete manifestantes foram feridos - 1 deles a tiros -, e 77 PMs ficaram sitiados no Palácio Tiradentes.

Transparência e combate à corrupção foram exigências levadas às ruas em Porto Alegre. Em Belém, a cobrança de redução dos índices de criminalidade na cidade, uma das mais violentas do mundo, apareceu com destaque.

Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Maceió também registraram manifestações de rua. Os protestos se estenderam ainda para cidades do interior, como Londrina, no Paraná.

Foram registrados confrontos com a polícia em Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio e São Paulo. De maneira geral, os atos violentos envolveram pequenos grupos e ocorreram no fim dos protestos.

O ponto de ligação entre os manifestantes nas diferentes cidades continuou sendo o protesto contra as tarifas dos transportes urbanos. Os repórteres do Estado verificaram, porém, que aumentou a variedade de grupos de insatisfeitos que aderiram aos protestos, com novas demandas.”

Mas o trabalho dos repórteres ao longo das manifestações não foi fácil.

Segundo o IG a Globo anunciou durante seu mais importante telejornal: “Os muitos protestos espalhados pelo Brasil não pediam apenas melhor transporte público e o fim da PEC 37 (aquela que reduz a atribuição de investigação pelo Ministério Público – nota minha). Muitos dos manifestantes queixavam-se do tratamento dispensado pelas emissoras, especialmente a Globo, sobre o assunto. Nesta segunda-feira (17), parte dos participantes do movimento se dirigiu à sede da emissora com palavras de contestação. O episódio foi mostrado pelo “Jornal Nacional” em link ao vivo comandado por César Galvão. Surpreendentemente, o telejornal exibiu também uma espécie de editorial sobre o tema para garantir a isenção dos fatos que reporta.

Patrícia Poeta reforçou a postura do jornalismo do canal e garantiu que tudo tem sido mostrado de maneira imparcial. “A TV Globo vem fazendo reportagens sobre as manifestações desde o seu início e sem nada a esconder. Os excessos da polícia, as reivindicações do movimento Passe Livre, o caráter pacifico dos protestos e, quando houve, depredações e destruição de ônibus. É nossa obrigação e dela não nos afastaremos. O direito de protestar e se manifestar pacificamente é um direito dos cidadãos”.

Apesar do editorial, a Globo passou a tomar cuidados especiais com seus repórteres de rua. Todos os jornalistas da emissora e da GloboNews que aparecem em frente às câmeras retiraram a canopla de seus microfones. A ideia é evitar protestos surpresa ao vivo e também preservar a integridade dos profissionais, que chegaram a ser alvo de xingamentos.”

Uma leitora, identificada apenas como Renata, escreveu logo abaixo: “A rede Globo sempre foi a maior manipuladora desse país! Agora vem bancar de santa. Vários videos sendo postados em tempo real na internet mostrando que a polícia estava atacando covardemente os manifestantes que nada faziam e ela continuava a chamá-los de vândalos e baderneiros. Juro que ás vezes, tento assistir a Globo, mas há anos não consigo…graças a Deus! Parem de assistir novela, elas ditam como vc deve se vestir e como deve agir. Não se deixe manipular. Mude de canal!”

De acordo com o Jornal do Brasil o “Perfil da 'Veja' no Twitter é invadido e revista é chamada de fascista”.

“O perfil da revista Veja foi invadido por volta das 12h50 desta segunda-feira. O responsável pelo ato, que se identificou como @AnonManifest!, utilizou a conta do veículo para publicar a seguinte mensagem: "'Jornalismo fascista nós não precisamos de vocês.' Até as 13h10 a conta seguia sob o controle do invasor e já exibia três novos tuítes: " Aos mais velhos: Desliguem suas TVs, deixem o telejornal fascista de lado e venham para as ruas hoje". "Nem a polícia e nem Mídia irão nos calar!". ”

Em resumo, os protestos não se dirigem apenas aos políticos e governantes. Há a clara sensação em muitos manifestantes de que informações são manipuladas, notícias são transmitidas com a conotação que a empresa quer, enfim, cria-se na população o clima desejado para alcançar objetivos estabelecidos pela empresa, e não o buscado pela população – mesmo que esse, o objetivo buscado pela população, seja apontado como o foco da reportagem.

Vamos obsrvar como seguirá este “jogo”.

Até a próxima!