Faltam médicos?

médico e paciente

Uma nova celeuma toma conta do país: faltam médicos para atender nossa população?

Médicos são indispensáveis, e pessoalmente sou testemunha de sua "indispensabilidade": por duas vezes me resgataram de situações críticas, e se hoje escrevo aqui, muito tenho a agradecer a eles. Sem contar os casos sabidos de parentes, amigos e conhecidos, além do acompanhamento preventivo que sempre contribui para uma vida saudável.

E há uma corrente, particularmente composta pelos próprios profissionais e suas instâncias reguladoras (leia-se CRM's) e representativas, afirmando que não há falta de médicos no país, mas sim falta de condições de atendimento. Ou seja, há profissionais suficientes, mas não atendem por falta de recursos.

figura de médico

Não tenho dúvida, e acredito que nenhum brasileiro tenha alguma, de que nosso atendimento público é um caos! São reportagens e mais reportagens dando conta sistematicamente do abandono da saúde pública, das péssimas condições de trabalho dos profissionais, da carência de equipamentos, da corrupção aderente ao SUS (aderente mesmo), e por aí vai.

Disse - e repito sem pestanejar - que odeio meias verdades. E penso que este seja exatamente o caso: meia verdade. Não revelam que há médicos com dois empregos simultâneos, médicos que não cumprem carga horária, médicos que não tem a devida atenção para com o ser humano chamado paciente!

Um documento do Conselho Regional de Medicina de São Paulo - CREMESP, que não tem razão nenhuma para mentir ou mascarar dados, além de ser órgão de grande credibilidade, em relatório onde apresenta o crescimento do número de médicos em S.Paulo, relatório este produzido em 2010, e do qual arquivamos uma cópia, mostra, na página 7, que em 2009 o quantitativo de médicos no Brasil era de 1,8 médicos por cada 1.000 habitantes, ou 1 médico para cada 555 habitantes. Mas essa é a média brasileira, pois o estado de S. Paulo tem um índice de 2,4 médicos para cada 1.000 habitantes, igual à média dos Estados Unidos!

quadro médicos por habitantes do CREMESP

Reino Unido, Austrália, Irlanda, Argentina e França tem índice superior a 3,0 e Portugal, Israel, Alemanha, Uruguai, Suiça e Itália tem índice igual ou superior a 3,5. Bélgica e Rússia tem índice superior a 4,0 enquanto a cidade de S. Paulo tem índice de 4,3. E os campeões, segundo o quadro do CREMESP, são Grécia e Cuba, com 5,4 e 6,4 respectivamente.

campanha médicos Se os médicos querem dizer que São Paulo estando atendido o resto do Brasil que se lixe, sejam claros! É fácil imaginar a gravidade dos índices lá nos rincões do nordeste e da amazônia, se a média brasileira é 1,8!

Me chamou particularmente a atenção o índice cubano, campeão mundial de médicos por habitante.

Recebi há uma semana uma mensagem de um velho amigo denunciando o golpe por trás da vinda de médicos cubanos. A mensagem informava que Cuba só tem duas faculdades de medicina e que os médicos que existem por lá não dão conta nem da população cubana – consequentemente os tais “médicos importados” seriam terroristas que viriam com a missão de instalar um regime comunista no Brasil!

Não dei atenção ao referido “e-mail”, mas vendo agora tal discrepância entre dados, resolvi conferir.

Surpresa! A Organização Mundial de Saúde - OMS, órgão de reconhecida reputação internacional e autoridade no assunto, avalia o sistema de saúde de Cuba como um dos melhores do mundo!!!

Segundo o informativo eletrônico Opera Mundiexistem hoje 24 faculdades de medicina (contra apenas uma em 1959) em treze das quinze províncias cubanas, e o país dispõe de mais de 43 mil professores de medicina. Desde 1959, se formaram cerca de 109 mil médicos em Cuba. Com uma relação de um médico para 148 habitantes (67,2 médicos para 10 mil habitantes ou 78.622, no total), segundo a Organização Mundial da Saúde, Cuba é a nação mais bem dotada neste setor. O país dispõe de 161 hospitais e 452 clínicas (Organização Mundial da Saúde, “Cuba: Health Profile”, 2010).

... Em 2012, Cuba formou mais 11 mil novos médicos, os quais completaram sua formação de seis anos em faculdades de medicina reconhecidas pela excelência no ensino. Trata-se da maior promoção médica da história do país, que tornou o desenvolvimento da medicina e o bem-estar social as prioridades nacionais.”

De acordo com a página eletrônica da BBC isto ocorreu porque “Em 1959, Cuba contava com apenas 6 mil médicos, sendo que a metade deles emigrou após a Revolução. A crise sanitária que se seguiu a essa debandada alertou o governo para a necessidade de formar profissionais de saúde em ritmo acelerado.

Meio século depois, o país tem 75 mil médicos, ou um para cada 160 habitantes - a taxa mais alta da América Latina.

Boa parte dos médicos que ficaram na ilha após a Revolução viraram professores, foram abertas faculdades de medicina em todo o país e se priorizou o acesso de estudantes ao setor. Tudo facilitado pelo fato de o ensino ser gratuito.”

O jornal O Estado de S. Paulo, insuspeito ao falar sobre Cuba, relata que “Os principais êxitos do regime implantado pela Revolução Cubana de 1959 estão na área social, onde a ilha apresenta indicadores superiores à maioria dos países do continente, incluindo aí os mais ricos.

... O sistema de saúde de Cuba é composto por quatro níveis: o médico de família, que costuma viver a poucas quadras de seus pacientes; o clínico geral de bairro; os hospitais de zona e os institutos especializados.

Todo atendimento é gratuito, com exceção dos medicamentos, que são subsidiados pelo Estado.

...O resultado deste sistema de saúde tão amplo pode ser observado quando se comparam as estatísticas das Nações Unidas sobre esperança de vida. Cuba ocupa o terceiro lugar em todo continente americano, com expectativa de vida de 76 anos para os homens e 80 para mulheres.

Já em relação à mortalidade infantil, as estatísticas da ONU apontam que o índice de Cuba é de cinco mortes a cada 1.000 nascimentos, o que situa o país em um nível só comparável ao do Canadá no continente americano.”

Me desculpe a classe médica brasileira, como dizem os advogados, "com todo o respeito", mas pelos dados não há como negar que o Brasil precisa - e urgentemente - de muitos novos médicos!

Até a próxima!