O Papa é supimpa!

multidões e o papa

Não esperava grandes novidades com a visita de Sua Santidade ao Brasil. Aliás, francamente falando, eu achava que seria uma sonora admoestação quanto à falta de fé em Deus, à inobservância das recomendações da Santa Madre, à adesão voluptuosa dos jovens à modernidade e ao materialismo e muita recomendação à oração, ao recolhimento e à adoração a Deus e aos santos.

Como se diz na gíria: caí do cavalo!

Fiquei surpreso com sua simplicidade e sua convicção de que um mundo novo é possível! Não fez discursos moralistas e praticou - do meu ponto de vista ele não só falou, mas praticou - o amor, a fraternidadae e a tolerância!

Me chamou a atenção, de imediato, o fato de seus pronunciamentos e os eventos da JMJ - Jornada Mundial da Juventude, muito diferentemente da FIFA, não serem exclusividade de um canal de televisão. Vários canais transmitiram as solenidades. Não se pagava entrada, não era proibido fotografar e filmar.

Também a solidariedade do povo do Rio, que acolheu quase três milhões de peregrinos, e de milhares de voluntários, mostraram que sim, nem tudo é financeiro no mundo de hoje! A solidariedade, palavra quase riscada dos nossos dicionários, foi lançada pelo papa como um desafio para as populações do mundo. “Nunca cansem de lutar por um mundo mais justo e solidário” e diálogo, escuta, transigência foram pontos cruciais defendidos por Sua Santidade em sua visita ao Brasil. Não tocou em sistemas econômicos, mas resgatou valores inestimáveis da humanidade: a vida e a partilha.

Conclamou os jovens a serem revolucionários, irem contra a corrente: “Em vista disso eu peço que vocês sejam revolucionários, que vão contra a corrente; sim, nisto peço que se rebelem: que se rebelem contra esta cultura do provisório que, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, que não são capazes de amar de verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de ‘ir contra a corrente’. Tenham a coragem de ser felizes!”

Em seu encontro com lideranças, o Papa manifestou-se com discurso onde pronunciou: “Todos aqueles que possuem um papel de responsabilidade, em uma Nação, são chamados a enfrentar o futuro 'com os olhos calmos de quem sabe ver a verdade', como dizia o pensador brasileiro Alceu Amoroso Lima ["Nosso tempo", in: A vida sobrenatural e o mundo moderno (Rio de Janeiro 1956), 106]. Queria considerar três aspectos deste olhar calmo, sereno e sábio: primeiro, a originalidade de uma tradição cultural; segundo, a responsabilidade solidária para construir o futuro; e terceiro, o diálogo construtivo para encarar o presente.”

Em seu discurso na praia de Copacabana, na vigília de oração, afirmou: “No coração jovem de vocês, existe o desejo de construir um mundo melhor. Acompanhei atentamente as notícias a respeito de muitos jovens que, em tantas partes do mundo, saíram pelas ruas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Mas, fica a pergunta: Por onde começar? Quais são os critérios para a construção de uma sociedade mais justa? Quando perguntaram a Madre Teresa de Calcutá o que devia mudar na Igreja, ela respondeu: você e eu!”

Em sua despedida, de novo manifstou-se celebrando a vida: “Neste clima de gratidão e saudades, penso nos jovens, protagonistas desse grande encontro: Deus lhes abençoe por tão belo testemunho de participação viva, profunda e alegre nestes dias! Muitos de vocês vieram como discípulos nesta peregrinação; não tenho dúvida de que todos agora partem como missionários. A partir do testemunho de alegria e de serviço de vocês, façam florescer a civilização do amor. Mostrem com a vida que vale a pena gastar-se por grandes ideais, valorizar a dignidade de cada ser humano, e apostar em Cristo e no seu Evangelho. Foi Ele que viemos buscar nestes dias, porque Ele nos buscou primeiro, Ele nos faz arder o coração para anunciar a Boa Nova nas grandes metrópoles e nos pequenos povoados, no campo e em todos os locais deste nosso vasto mundo. Continuarei a nutrir uma esperança imensa nos jovens do Brasil e do mundo inteiro: através deles, Cristo está preparando uma nova primavera em todo o mundo. Eu vi os primeiros resultados desta sementeira; outros rejubilarão com a rica colheita!”

Obrigado, Papa! Você nos inebriou o coração!

Sávio acrescentou: "Acho valioso acrescentar a opinião dada pelo Papa ao final da entrevista à Globo (adaptado a um texto):

-- Tem-se que incentivar a cultura do encontro em todo o mundo, passando valores éticos que a humanidade necessita. Cada religião tem suas próprias crenças. Dentro dos valores de sua fé, trabalhar pelo próximo. Nos encontrarmos todos para trabalhar pelos outros. Se há uma criança com fome e sem educação, devemos mover-nos para resolver isso. Se será solucionado por católico, protestante, ortodoxo ou judeu não importa."

Casate acrescentou: "As posições do Papa Francisco surpreenderam à grande maioria das pessoas. ... Agora é partir para as ações em linha com o que Ele nos brindou. Simples: começar pelas ações mais simples e de imediato. Mudar a forma de agir."

Transcrevo abaixo o texto publicado no blog de minha amiga Ana chieffi também a respeito dessa visita:

Fui criada em família e colégios católicos, porém só fui praticante até os 15 anos de idade (1969). Tornei-me o que se chama de “espiritualista sem religião” e é deste ponto de vista que observei a passagem do papa Francisco pelo Brasil durante a Jornada Mundial da Juventude.

Como a maioria das pessoas, simpatizei com ele, me identifiquei e me encantei. Afinal, ele é simpático, afetuoso, sensível, perspicaz, inteligente, “ubicado” (como se diz em sua língua).

papa Francisco

O papa Francisco surpreendeu com sua simplicidade sincera, sua total ausência de frescuras, seus pés no chão e seu coração aberto. Ele foi totalmente receptivo às calorosas manifestações populares de carinho.

Confesso que mais de uma vez achei um exagero, uma verdadeira overdose a cobertura da mídia… mas confesso também que várias vezes assisti e gostei do que vi e ouvi!

Pra mim é como se todo o evento fosse fechado com chave de ouro, com a entrevista à Globo News apresentada no Fantástico. Foi dito que é raro um papa dar entrevista, mas ele estava muito à vontade. As questões que mais me tocaram:

Segurança – Ele disse não sentir medo, porque ninguém morre de véspera e que quando chegar sua hora, Deus o levará. Disse em seguida que quando vamos encontrar amigos, não nos colocamos dentro de uma redoma de vidro e por isso quis o papamóvel aberto, para poder tocar as pessoas. Elogiou o trabalho tanto da segurança do Vaticano quanto do Brasil e admitiu ser indisciplinado. Inclusive ele saiu do papamóvel mais de uma vez para cumprimentar pessoas com dificuldade de locomoção, como um rapaz em cadeira de rodas e uma senhora bem idosa.

Simplicidade – disse que no Vaticano os aposentos destinados ao papa são grandes, mas não de luxo. Preferiu morar na Casa Santa Marta por questões pessoais e “psiquiátricas”: ele precisa de contato humano. Prefere comer no refeitório coletivo e ter contato constante com as pessoas. Falou que o carro que usou no Brasil é do mesmo estilo do que usa em Roma. Além disso, acredita que os membros da igreja devem dar exemplo não só de simplicidade, mas de pobreza. Isso porque o povo se magoa com o apego a dinheiro.

Manifestações – afirmou não saber a razão dos protestos no Brasil, porém disse que protestar é da natureza da juventude, bem como a utopia, a espontaneidade, o inconformismo, muita energia e até a inexperiência. Considera tudo isso muito lindo e que os jovens devem poder se manifestar e ser ouvidos. Falou e repetiu que devem tomar muito cuidado para não serem manipulados.

Desvio de dinheiro no Vaticano (entre US$ 10 e 20 milhões) – afirmou que há várias pessoas santas por lá, entre cardeais, bispos, padres e leigos e que, infelizmente (não só lá), o que é negativo é que chama atenção. Ele disse: “que bonito favor esse Monsenhor fez à igreja, não é?” E afirmou que ele agiu mal e deve receber da igreja a punição que merece.

Diminuição do número de católicos – considera a hipótese do afastamento da igreja de seus fiéis. É como uma mãe que precisa estar junto de seus filhos, dar carinho, tocar, abraçar. Não faz sentido uma mãe se comunicar com seus filhos por correspondência. Da mesma forma, a igreja precisa estar bem próxima de seu rebanho.

Rivalidade entre Brasil e Argentina – lembrou que negociamos bem: “o Papa é argentino e Deus é brasileiro.”

Humildade – durante toda a Jornada, inúmeras vezes pediu com insistência que rezássemos por ele.

QUE DEUS O ABENÇOE, INSPIRE, ILUMINE E GUIE EM SUA MISSÃO, PAPA FRANCISCO!

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Até a próxima!