Para entender o caso Siemens

Cenas do Metô

Eduardo Enomoto/R7 - Marcos Guedes/Agência Record




















O jornalista Luis Nassif elaborou um resumo, muito elucidativo na minha opinião, que explica como a corrupção acontece no Brasil. Ele tomou o caso da Siemens, como ficou conhecida a falcatrua que desviou milhôes do metrô de São Paulo, e explicou como o desvio de recursos aconteceu.

Tomei a liberdade de transcrever o artigo de Luis Nassif, publicado no seu blog para ajudar aqueles que tentam descobrir como as tramóias acontecem no Brasil.

Para entender o caso Siemens

Autor: Luis Nassif, ter, 13/08/2013 - 08:00

Para entender o caso Siemens - a acusação de que a empresa pagou propinas em licitações dos Metrôs de São Paulo e Brasilia - o primeiro passo é identificar adequadamente os personagens.

Em praticamente todas as instâncias públicas - do governo federal aos municipais - as relações obscuras entre fornecedores e governo seguem determinado padrão, com personagens bem definidos.

O primeiro personagem relevante é o operador do serviço público, o funcionário público que sabe atuar nas brechas da legislação, servindo ao governante do momento.

O segundo personagem é o lobista, o sujeito de fora da máquina que faz a interface entre o funcionário (ou o mandatário) e a empresa subornadora.

O terceiro personagem é a subornadora, a empresa que paga para conseguir vantagem nos contratos.

O quarto personagem é o operador político - o representante do governante, incumbido dos acertos finais.

O quinto personagem é o Ministro, governador ou prefeito do momento e seus respectivos secretários. ***

Há muitos anos se sabia da existência do cartel atuando em São Paulo. Em 2008, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) estranhou compra de trens pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) sem licitação. A vendedora foi a espanhola CAF. Para eximir-se da licitação, a CPTM apresentou um laudo do sindicato da categoria - avalizado por todos os grandes competidores (Siemens, Allston, Bombardier etc.). Em qualquer economia avançada, acordos dessa natureza, sancionados pelo Sindicato da categoria, é a prova inconteste de atuação do cartel. Na época, no entanto, o Ministério Público Estadual considerou o documento como legítimo e suficiente para se abrir mão da licitação. E aparentemente o TCE concordou.

Com poucos promotores empenhados em apurar os casos - e arquivando a maioria das denúncias -, com o TCE pouco ativo, uma Assembleia Legislativa sob controle e os grandes jornais fechando os olhos para a as operações, avançou-se além do que se recomendaria a prudência. ***

A alemã Siemens e a francesa Alston tinham sido pressionadas pelas autoridades de seus países a realizar um "compliance" - isto é, um conjunto de práticas que extirpasse de vez as ilegalidades cometidas internacionalmente. E, nos Estados Unidos, foram montadas estruturas visando coibir as más condutas corporativas. Esse ajustamento de conduta surgiu depois que se soube que ambas as corporações estimulavam suas filiais em países emergentes a pagar propina para conseguir grandes negócios. As práticas geraram escândalos de montas e ambas as empresas tiveram que assumir, diante da Justiça, o compromisso de coibir a prática. Mas não o fizeram. ***

Apanhadas novamente, deram início a um processo interno de apuração de responsabilidades. O primeiro a cair foi o presidente da Siemens Brasil, Adilson Primo, sob suspeita de aproveitar a falta de contabilização para proveito próprio. Reincidente, a Siemens procurou autoridades do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e propôs um acordo de leniência - espécie de delação premiada. É a partir dele que as investigações foram retomadas.

Até a próxima!

Comentários adicionados por leitores (no blog do Nassif):

Ter, 13/08/2013 – 20:36 ---- JC

Todo o sistema é podre. Tudo no âmbito da administração pública está corrompido, infectado, mortalmente condenado à perecer na podridão.

Embora alguns não queiram aceitar a generalização dos maus governos, a regra é a corrupção, a excessão ou morre politicamente ou, se for muito teimoso, morre depois do jantar. Tudo é muito óbvio e os esquemas funcionam sob as barbas da justiça que nada pune porque também é podre.

‘Los partidos políticos institucionales son el bioshacker de la lucha por la libertad’

ter, 13/08/2013 - 21:28 ---- edbnes

http://www.youtube.com/watch?v=06QfNstN7ck

ter, 13/08/2013 - 20:07 ---- ArthurTaguti

Em suma, "tá tudo dominado". Nenhum órgão fiscalizador (seja institucional, seja a grande mídia) agiu em SP, e o esquema rolou a torto e a direito por anos a fio. Criticam os escândalos do PT, mas os partidos de direita que sempre estiveram no poder possuem um know-how muito maior para acobertamento de corrupção. Impressionante como este caso só apareceu por causa de um procedimento no CADE (órgão federal) e denúncia da Istoé (veículo da grande mídia). Se fosse a Carta Capital, ou algum blog progressista, imperaria aquele silêncio sepulcral e o mesmo trololó tucano de sempre que é "papo de petista".

ter, 13/08/2013 - 19:43 ---- Wzbvornya

O negócio é a ponta do iceberg do sistema de entrega da arrecação pública para interesses corporativos ou dos bancos. Seria bastante oportuno analisar as S/A's do sistema elétrico e de água/saneamento. Tais sistemas são condizentes às necessidades básicas da população e merecem o reeinvestimento do lucro do sistema no azeitamento deste.

Ou seja, melhorias no sistema de condução e eficiência do serviço, bem como a necessária ampliação. Repassar lucros à acionistas, não é condizente com a finalidade público do negócio. Também não condiz com a probidade administrativa, imaginar o comprometimento das receitas públicas futuras, com empréstimos de bancos internacionais, pagando o preço da agiotagem internacional. Isso sufoca as administrações futuras e lesam a qualidade do serviço público. Pelo cheiro do negócio há muita gente por trás deste esquema...como dizia Henry Ford: "não há homem incorruptível, apenas não se chegou no preço certo". O silêncio ou a ineficiência na apuração dos fatos, possibilita uma interpretação de leniência comprada dos atores públicos.

Aquí no Paraná a privatização da COPEL, dizem bocas veladas, custou 3 milhões de reais para cada deputado que votou favorávelmente a sua venda. E aquí também temos um Tribunal de FAZ de Contas.

ter, 13/08/2013 - 19:24 ---- Sergio Saraiva

Publiquei este post, por incrível que pareça, em 23/12/2011. E depois dizem que não existe blindagem para os tucanos. Caso Alston a espera de um Amaury Jr. Toda essa discussão sobre a privataria tucana levou me a recordar outro caso, como esse das privatizações, o caso Aslton/Siemens. Este é outro caso envolvendo a corrupção tucana que está a espera de alguém que o sistematize e sintetize em um livro.

Assim como o caso das privatizações, o assunto é conhecido mas está debaixo do manto de silêncio do PIG. Abaixo apresento três textos, um da Wikipédia, outro do R7 e por fim um do Correio do Brasil. No da Wikipédia reparem nos nomes envolvidos, comparem-os com os do Privataria Tucana, nos textos do R7 e do Correio do Brasil o que chama atenção são as datas dando uma noção de relação causal. Enfim, a espera de um Amaury.

Escândalo do caso Alstom Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Escândalo do caso Alstom consiste numa série de denúncias de pagamento de propina feitos pela empresa francesa Alstom a vários políticos brasileiros do PSDB, que vêm sendo feitas por órgãos de imprensa da mídia internacional, tais como o Wall Street Journal e o Der Spiegel,[1] e que foram, em parte, repercutidos no Brasil, principalmente pelos jornais O Estado de S. Paulo [2][3] eFolha de S. Paulo.[4][5] Notadamente a Alstom desembolsou US$ 6,8 milhões em propinas para conseguir obter um contrato de 45 milhões de dólares na expansão do metrô de São Paulo.[6] De acordo com o que consta de documentos enviados ao Ministério da Justiça do Brasil pelo Ministério Público da Suíça, no período de 1998 a 2001 - durante o qual o PSDB foi o 'partido no Poder' no Estado de São Paulo - pelo menos 34 milhões de francos franceses teriam sido pagos em propinas a autoridades governamentais do Governo do Estado de São Paulo e a políticos paulistas utilizando-se empresas offshore.

Empresas offshores são empresas criadas em paraísos fiscais, onde gozam de proteção por regras de sigilo que dificultam investigações. Os pagamentos teriam sido feitos utilizando-se o esquema de contratos de 'consultoria de fachada'. O valor das "comissões" supostamente pagas pela Alstom em troca da assinatura de contratos pelo Governo do Estado de São Paulo chegaria a aproximadamente R$ 13,5 milhões. Segundo o Ministério Público da Suíça, pelo cruzamento de informações, esses trabalhos de "consultoria" foram considerados como sendo trabalhos fictícios.[2] No período de negociação e da assinatura dos contratos de consultoria estava à frente da Secretaria de Energia de São Paulo - que comandava a Eletropaulo - o então genro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, David Zylbersztajn (deixou o cargo em janeiro de 1998, ao assumir a direção geral da Agência Nacional do Petróleo), o atual secretário de Coordenação das Subprefeituras da cidade de São Paulo, Andrea Matarazzo, que ocupou a secretaria por alguns meses, e o atual secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.[2] http://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_caso_Alstom Gilberto Nascimento, do R7 publicado em 14/02/2011 às 05h54: atualizado em: 14/02/2011 às 21h20 Testemunha desvenda esquema de propina do Metrô de SP e do DF Dinheiro de “caixinha” vinha por meio de duas offshores do Uruguai, segundo documentos Informações sigilosas de uma importante testemunha vão ajudar a desvendar um esquema internacional de propina que, segundo denúncias, teria sido montado no Brasil pelas multinacionais Alstom e Siemens.

Uma figura que acompanhou de perto contratos firmados nos últimos anos pelas duas empresas com os governos do PSDB em São Paulo e do DEM no Distrito Federal para a compra de trens e manutenção de metrô passou a fazer novas revelações e a esmiuçar os caminhos do propinoduto europeu em direção ao Brasil. Supostos “acertos” e negociações atribuídos a representantes das duas companhias estão em um documento elaborado por essa fonte e encaminhado ao Ministério Público de São Paulo. Contatada pelo R7, a testemunha - que se identifica apenas como F. e teme ser fotografada por causa de represálias – dá detalhes de como a propina chegava ao Brasil por meio de duas offshores (paraísos fiscais), a Leraway e a Gantown, sediadas no Uruguai, e de como a Alstom e a Siemens teriam se utilizado da contratação de outras empresas para encaminhar o dinheiro da “caixinha” a políticos, autoridades e diretores de empresas públicas de São Paulo e de Brasília.

http://noticias.r7.com/cidades/noticias/testemunha-desvenda-esquema-de-propina-do-metro-de-sp-e-do-df-20110214.html

Demissão na Siemens apavora tucanos 12/10/2011 17:34, Por Blog do Miro

Sem manchetes nos jornalões ou estardalhaço da TV, a mídia demotucana noticia hoje que a multinacional alemã Siemens demitiu Adilson Primo, que desde 2001 era o presidente-executivo da sua subsidiaria brasileira. Segundo a lacônica nota da empresa, “por meio de investigação interna, foi descoberta uma grave contravenção das diretivas da Siemens na sede nacional”.O Valor informa que “a demissão foi resultado de extensa investigação por suspeita de desvio de dinheiro, de aproximadamente € 6,5 milhões”.

Já a Folha observa que “Primo teria feito as retiradas indevidas antes de 2007, quando estourou o maior escândalo de propina da história da multinacional”. A mídia demotucana só não enfatiza que o Brasil estava metido neste gigantesco caso de corrupção.Bilionário negócios com o MetrôNa época do escândalo, a imprensa mundial especulou que o dinheiro desviado da multinacional teria servido para corromper autoridades de diversos países, incluindo o Brasil. A demissão sumária do executivo confirma a suspeita e deve apavorar os tucanos. Afinal, Adilson Primo negociou bilionários contratos da Siemens com o governo de São Paulo, principalmente nas obras do Metrô.

http://correiodobrasil.com.br/demissao-na-siemens-apavora-tucanos/311049/