De ilusões e desilusões.

Electra planando

A blogonave desliza pelo ciberespaço
Por cibernebulosas nunca dantes navegadas! .

Não sou filósofo (nem de botequim... rs) para falar de ilusões e desilusões humanas – nem perdidas nem achadas. Também não sou psicólogo para aventar hipóteses sobre comportamento humano.

A bordo da blogonave em espaços cibernéticos propícios a vôos de brigadeiro, que só a blogosfera proporciona, entretanto, arrisco um palpite: muitos admiradores da provável candidata a presidente Marina Silva se desiludiram com a mesma após sua filiação ao PSB.

A provável candidata falava muito de nova forma de fazer política, de combater o que está aí, contra o uso de partidos de aluguel...

Não é preciso refletir muito para constatar que para fazer diferente não se pode fazer igual! Parodiando o autor de “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” – segundo dizem o futebolista Nenê Prancha, e para quem quiser filosofar tem algo aqui, – eu diria que igual é igual, diferente é diferente!

Óbvio! Então para que filiar-se a um partido que tem também um provável candidato à presidência, partido esse estruturado, recém rompido com o governo, argumentando que a filiação é programática e não pragmática? E qual partido decente aceita uma filiação de alguém que já declara que não obedece seu programa e suas determinações? E se ela concorda com o programa do PSB e suas diretivas, por que queria criar a Rede Sustentabilidade?

Não sou filósofo, já anunciei acima, mas fica difícil entender uma coisa destas!!! Então a senhora Marina Silva vai apoiar Eduardo Campos a presidente? Direito dela, mas precisava se filiar a um partido para apoiar alguém? Ou ela vai querer participar da chapa provável do governador de pernambuco? E se ela empenha o nome e prestígios dela, como fazer isso sem exigir mudanças no programa e na estrutura do PSB? Ou, se vai aceitar o PSB do jeito que é, onde está a mudança? Minha cabeça é pequena...

Bem, nada impede que Eduardo Campos ceda sua postulada candidatura presidencial a Marina Silva. Ele poderia ser o candidato a vice, afinal de contas. Aí entra minha especulação: se a ambição política do cara era ser presidente, como vai ceder a vaga?

E, nesse caso, como fica Marina, com seus propósitos e ideiais alinhavados com as metas e programa de Eduardo Campos? Ele abandona tudo por Marina? Caso de política, de amor ou de polícia? Ou de psiquiatra?

O blog da Marina informa:

”Surpresa, ousadia e movimentos que somam, em lugar de dividir, têm alto impacto na política. A maneira como Marina Silva respondeu à impugnação da Rede Sustentabilidade pelo TSE, e Eduardo Campos recebeu sua iniciativa, foi de alto impacto. Transformou-se imediatamente em um fato político com forte repercussão na mídia e na política.

A maior novidade é estar em negociação uma coligação programática, baseada em uma carta de princípios e na hospedagem amistosa de uma força política em um partido consolidado. Há precedentes históricos para esse tipo de recepção de uma força política autônoma por um partido político. A negociação programática de uma coligação eleitoral não tem precedentes.”

Acho que agora entendi: está em negociação o que eles irão fazer. Isso nunca foi feito antes, então, como dizem? E se não chegarem a um acordo? Acho que se assemelharia a um casamento entre estranhos: viram-se, casam-se a aí então tentam organizar a vida como casal. Tem chances de dar certo? Vou chamar um estatístico para considerar quais as possibilidades... rs. E, cá entre nós: somam para eles e dividem para os outros candidatos! Só se for...

O blog da Marina continua:

“Uma coligação programática dá outra dimensão à aliança entre forças político-partidárias e reduz consideravelmente a corrupção eleitoral, particularmente se esse mesmo padrão for aplicado, posteriormente, em caso de vitória, na negociação da coalizão de governo. Quem terá a maioria no Congresso, só as eleições dirão. Somente após conhecido o resultado das eleições parlamentares, é possível saber as possibilidades de formação de uma coalizão majoritária para apoiar o governo.”

“Se as negociações para formação desta coligação derem certo, vai se criar um exemplo muito importante para a dinâmica do presidencialismo de coalizão no Brasil. Criei esse conceito, de presidencialismo de coalizão, para explicar as peculiaridades do presidencialismo brasileiro, no qual o(a) presidente raramente consegue fazer a maioria no Congresso para seu partido, não tem condições de governabilidade ficando em minoria, e precisa negociar uma coalizão multipartidária para governar. Tenho dito que o problema deste modelo específico de governança presidencialista não é depender de uma coalizão. É a maneira pela qual as coalizões são negociadas, na base do toma-lá-cá, que cargos eu levo ou ofereço, quem financia minha campanha.”

Ilustre leitor, distinta leitora: minha inteligência é curta pra entender tais conjugações. Qual a diferença entre uma coligação programática e uma coalizão multipartidária? Uma coalizão não tem um programa de governo difinido? Onde a coligação programática é diferente, em que reduz a corrupção? E se ela não alcançar a maioria no congresso, irá renunciar ao cargo de presidenta? Ou, no caso de Eduardo Campos, de presidente? Ou irão se curvar ao pragmatismo e se render a uma composição com partidos próximos, a coalizão multipartidária, como diz o autor, para garantir a governabilidade? E como evitar a corrupção eleitoral se a pŕopria Marina, que não é nenhuma milionária, já voa para lá e para cá a bordo de jatinhos de empresários que sustentam financeiramente sua pré-campanha?

Sei não, mas me parece que esses dois irão, de uma forma ou de outra, criar mais um monte de iludidos e depois uma legião de desiludidos pelo Brasil afora!

Diz um amigo, com quem concordo, que em política não há pureza! Torço para que isso mude, mas enquanto nosso modelo eleitoral for como é, enquanto houver promiscuidade entre legislativo, executivo e judiciário, como há hoje onde presidente indica membro daqui e dali, congresso aprova de cá e dacolá, empresário, pastor e sindicalista elegem e se elegem a torto e a direito, enquanto não melhorarmos nossa constituição, continuaremos como somos. Mas vou me conter e voltar ao tema do título.

Em São Paulo noticiam pelo IG que haverá até mudança de placa para comemorar a chegada da Rede:

“Atendendo a um pedido do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), para que a ex-senadora Marina Silva (PSB) e integrantes da Rede sejam recebidos com honras, o diretório paulista do PSB montou um grupo de trabalho para integrar os marineiros e vai trocar a placa da fachada de sua sede, na capital.

Antes constando apenas PSB, a nova placa – que será colocada em um ato na semana que vem – vai constar PSB/Rede. Também na semana que vem, começa a funcionar o grupo com quatro membros do PSB e quatro da Rede para promover a integração dos novos filiados. “

Uma coisa é certa: conquistaram um espaço enorme nos meios de comunicação, e a política hoje só fala da junção (ou qualquer nome que queiram dar...) entre Rede Sustentabilidade e PSB. Na minha opinião a agitação da mídia é circunstancial, e logo vai retornar ao clima de disputa entre a presidente Dilma e os outros. Aí também são outros elementos que ficam para uma outra postagem.

Até a próxima!

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

PS: Conforme havia indicado em postagens anteriores, passo a vocês como faço pesquisas na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional:

Digite o endereço da Hemeroteca no seu navegador: http://memoria.bn.br/hdb/uf.aspx

Na página que segue (conforme figura acima), selecione:

1 - Escolha um local

Selecione ES (para periódicos do Espírito Santo, obviamente).

2 - Escolha um período

Selecione a década que deseja pesquisar.

3 - Escolha um periódico

Embora se possa optar por somente um periódico, é interessante selecionar TODOS.

4 - Digite para pesquisar

Coloque a palavra desejada. (Utilizei Caieiras, Caeiras, Caleiras e Calleiras, uma de cada vez, para a pesquisa sobre a Ilha das Caieiras.)

Clique no botão pesquisar e aguarde. Rapidamente abre-se uma nova janela com a relação de ocorrências da palavra apresentada em cada periódico. Coloque o mouse no sinal de + (aparece à direita) e selecione "ir para a primeira ocorrência". Daí vem nova janela com a cópia do periódico.