Começou o BBB

enchente em Nova Venécia

Blogonave em vôo soberano no ciberespaço
que desejamos cada vez mais democrático!


Começou o programa Big Brother Brasil número 14.

Embora tenha minha opinião a respeito, fui bisbilhotar na Internet sobre distintas opiniões relativas ao dito cujo.

Achei interessante: de imediato, encontrei inúmeros comentários a respeito dos participantes, suas origens, atributos e comportamentos nos primeiros dias da casa 14. Depois, encontrei várias defesas sobre o direito de quem quiser assistir ao programa, e uma página curiosa relatando: “começou o BBB e com ele a enxurrada de palpites a favor e contra.” (AQUI)

Curioso, pois apresenta dezenas de ponderações sobre o assistir e o não assisitr à série e me chamou a atenção a ponderação: “vivemos em um país democrático e numa democracia cada um assiste o que quer.” De fato, independentemente da opinião que se tenha, há que se respeitar a opinião adversa, quiçá analisar seus argumentos e ponderá-los diante dos nossos.

Encontrei críticas ao “golpe da Globo”, onde a programação que tinha lugar naquele horário foi postergada sem anúncio para “aproveitar” a audiência que o programa anterior já tinha, obrigando, por assim dizer, seus assistentes a primeiro assistirem ao BBB para então terem seu programa esperado.

Ainda achei curiosa a página eletrônica de Michelly Ribeiro, com o título: “Rebatendo as críticas ao BBB”, de 17 de janeiro de 2012. Dentre os argumentos apresentados, na minha opinião vale destacar:

Gostaria de deixar claro que não tenho a intenção de impor minha opinião, apenas explicar minha visão sobre este programa, a qual não está nada fácil de detalhar em pequenas doses.

Todos os que lá estão confinados representam culturas diferentes, considerando a cultura não somente como conhecimento, mas como costumes e experiências de vida também. Ou seja, são culturas tentando passar “cultura” para quem assiste.

Os psicólogos poderiam muito bem explicar isso: o BBB é um grande arquivo de comportamentos distintos do ser humano. Lá, pode-se analisar como alguém reage em situações adversas, como são suas relações de amizade ou até de sobrevivência. Podemos analisar comportamentos, desconsiderando as edições que a Globo faz, só de observar a maneira como cada um age e reage, conversa e discorda de opiniões, suas alterações de humor; afinal, estão todo confinados, ou seja, privados de liberdade. Como você reagiria numa situação dessas em meio a tantos desconhecidos, que se tornam o seu universo em um momento de carência?

Não podemos deixar de considerar as edições que a Globo faz, como já disse anteriormente, porém que emissora de rádio ou TV não faz edições a fim de cumprir com sua linha editorial? Até emissoras de TV católicas, como a Canção Nova por exemplo, deixam de entrevistar pessoas importantes da política só porque são favoráveis ao aborto. Então, é a linha editorial deles, o que vamos questionar? Apenas a credibilidade, talvez, das informações, mas quem assiste sabe o que está procurando, não é verdade?

Enfim, é claro que ao falar de BBB, também devemos falar de qualidade da programação e a influência sobre a população de um país. A Globo tem muita audiência e, por isso, poderia sim melhorar a quantidade de programas que visam à educação, mesmo em pequenas doses e com entretenimento, como já acontece; porém, ainda o que predomina e o que da dinheiro é o ibope, e devemos admitir que saber da vida alheia da muito ibope; notícias bombásticas com mortes também são audiência e brigas também. O enredo das novelas são um exemplo concreto do que atrai expectadores. Isso pode ser um medidor da educação brasileira também, considerando que a maioria dos brasileiros, por exemplo, é analfabeta ou semi-analfabeta.

Mas, quando digo que reality show também é cultura (não me refiro somente a BBB, como também a diversos programas que seguem essa linha, além dos diversos “aprendizes” existentes), me refiro à análise comportamental que pode ser feita rapidamente por aqueles que apenas podem acompanhar pelo canal aberto e principalmente por aqueles que pagam pela programação 24h por dia. Você pode tanto analisar como também aprender com alguns poucos componentes que fazem citações sobre suas experiências de vida. É como numa conversa entre amigos boêmios, por que não? E isso pode acontecer.

Todos, sem distinção, têm algo a acrescentar a alguém, e todos aqueles que lá estão são seres humanos com o objetivo de ganhar 1 milhão de reais; e por ambição ou não, podemos avaliar as atitudes que cada um toma diante dos desafios da vida. Quando se tem uma meta complicada. cada um reage de acordo com a “cultura” que possui, uns de forma positiva, outros de forma negativa. E assim acontece na vida real, com muito menos mordomias como no BBB.

Por mais que muitos lá dentro optem por usar máscaras (e todos nós usamos em momentos específicos de nossas vidas, de acordo com cada situação – é uma realidade),ninguém (de maneira geral) é capaz de deixar de ser si próprio o tempo todo. As máscaras sempre caem. Então, independente de edição, você poderá analisar perfeitamente o comportamento de cada indivíduo participante deste programa, bem como sua personalidade. É como um processo de seleção para um emprego: vence quem atrair mais ao público. É assim na vida, é assim na política. Aliás, a vida é uma política de bons relacionamentos: vence quem consegue conquistar mais pessoas favoráveis para seu convívio.

Pense nisso….

Porém resolvi radicalizar a busca na Internet e lasquei a expressão “críticas ao BBB” no engenho de busca (search engine, no original em inglês – ou, em bom português, não para fazer propaganda mas sim para usar o “popular”, no Google... rs)

Depois de tantas voltas não fico à vontade para criticar o BBB em si, mas a televisão brasileira como um todo. Não é só o BBB que é vazio: como disse um internauta, esse é apenas um desfile de vaidades discutindo banalidades e provocando – ou mesmo praticando – sexo.

Claro, os “selecionados“, pelos atributos físicos e características de personalidadae, tem por objetivo alcançar o prêmio de R$ 1,5 milhão. Mas as regras de seleção não condicionam nenhum candidato a ter inteligência privilegiada, conhecimentos em determinada área, comportamento favorável ao coletivo ou pela partilha. As provas a que são submetidos durante o programa são as mais esdrúxulas e medíocres possíveis: quem consegue aguentar um braço levantado por mais tempo, ou quem consegue comer maior quantidade de minhocas desinfetadas e esterelizadas …

Durante um programa prévio, no ano 2000, que chamaram de NO LIMITE, havia competição para ver quem comia olhos de cabra, minhocas vivas e coisas do gênero, em um confinamento no norte do Brasil.

Mas convenhamos: outros programas, de várias emissoras, também aprontam barbaridades do tipo! Tem quadros onde deliberadamente cidadãos são submetidos a situações ridículas, chamando o quadro de “pegadinhas do XX” ou “vídeo-cassetadas do Lambão” onde o riso vem da “desgraça alheia”. Convenhamos, leitores e amigos, qual país vai ter um povo cordato e gentil se a regra é ironizar o infortúnio do próximo?

Acho que a cultura e o comportamento de um povo podem ser enriquecidos e fortalecidos pelo que se vê na vida, se aprende na escola e se “consome” como lazer nos meios de comunicação. Encarar como natural e motivo de galhofa os contratempos enfrentados pelos nossos semelhantes não me parece ser uma postura conveniente para meios de comunicação que usufruem de concessão pública para operar.

Aliás, aqui nos defrontamos com duas longas discussões que deveriam ser matéria constitucional: liberdade de imprensa versus liberdade de expressão e o papel do Estado na preservação e fortalecimento da cultura de seu povo. Qual deve ser o limite do capital privado (donos do dinheiro) ao veicular uma programação, ou como estabelecer controles para concessões públicas, de forma a estimular e fortalecer a cultura de um povo, sem se cair no carrasco da censura? Como garantir a concorrência entre empreendimentos de comunicação distintos, sem os entraves da “exclusividade de transmissão”? Como definir conteúdos e formas de veiculação no interesse da nação (leia-se: do povo) de forma a não ser entediante nem dogmático? Como garantir a veiculação de princípios naturais a todo o povo brasileiro?

Portanto, a meu ver, não se trata de criticar o programa BBB ou XXX, mas de se estabelecer rigosrosamente o que o brasileiro quer e como levar lazer e grandeza humana através de mídias que operam por concessão.

Mas já estamos nos alongando muito, pelo que vamos deixar para continuar o debate na semana que vem.

De qualquer forma, não posso me furtar a emitir minha modesta opinião em relação ao programa em questão. Para tanto, faço minhas as palavras do cordelista Antonio Carlos de Oliveira Barreto publicadas em 2011:

Curtir o Pedro Bial

E sentir tanta alegria

É sinal de que você

O mau-gosto aprecia

Dá valor ao que é banal

É preguiçoso mental

E adora baixaria.


Há muito tempo não vejo

Um programa tão 'fuleiro'

Produzido pela Globo

Visando Ibope e dinheiro

Que além de alienar

Vai por certo atrofiar

A mente do brasileiro.


Me refiro ao brasileiro

Que está em formação

E precisa evoluir

Através da Educação

Mas se torna um refém

Iletrado, 'zé-ninguém'

Um escravo da ilusão.


Em frente à televisão

Lá está toda a família

Longe da realidade

Onde a bobagem fervilha

Não sabendo essa gente

Desprovida e inocente

Desta enorme 'armadilha'.


Cuidado, Pedro Bial

Chega de esculhambação

Respeite o trabalhador

Dessa sofrida Nação

Deixe de chamar de heróis

Essas girls e esses boys

Que têm cara de bundão.


O seu pai e a sua mãe,

Querido Pedro Bial,

São verdadeiros heróis

E merecem nosso aval

Pois tiveram que lutar

Pra manter e te educar

Com esforço especial.


Muitos já se sentem mal

Com seu discurso vazio.

Pessoas inteligentes

Se enchem de calafrio

Porque quando você fala

A sua palavra é bala

A ferir o nosso brio.


Um país como Brasil

Carente de educação

Precisa de gente grande

Para dar boa lição

Mas você na rede Globo

Faz esse papel de bobo

Enganando a Nação.


Respeite, Pedro Bial

Nosso povo brasileiro

Que acorda de madrugada

E trabalha o dia inteiro

Dar muito duro, anda rouco

Paga impostos, ganha pouco:

Povo HERÓI, povo guerreiro.


Enquanto a sociedade

Neste momento atual

Se preocupa com a crise

Econômica e social

Você precisa entender

Que queremos aprender

Algo sério - não banal.


Esse programa da Globo

Vem nos mostrar sem engano

Que tudo que ali ocorre

Parece um zoológico humano

Onde impera a esperteza

A malandragem, a baixeza:

Um cenário sub-humano.


A moral e a inteligência

Não são mais valorizadas.

Os "heróis" protagonizam

Um mundo de palhaçadas

Sem critério e sem ética

Em que vaidade e estética

São muito mais que louvadas.


Não se vê força poética

Nem projeto educativo.

Um mar de vulgaridade

Já tornou-se imperativo.

O que se vê realmente

É um programa deprimente

Sem nenhum objetivo.


Talvez haja objetivo

"professor", Pedro Bial

O que vocês tão querendo

É injetar o banal

Deseducando o Brasil

Nesse Big Brother vil

De lavagem cerebral.


Isso é um desserviço

Mal exemplo à juventude

Que precisa de esperança

Educação e atitude

Porém a mediocridade

Unida à banalidade

Faz com que ninguém estude.


É grande o constrangimento

De pessoas confinadas

Num espaço luxuoso

Curtindo todas baladas:

Corpos "belos" na piscina

A gastar adrenalina:

Nesse mar de palhaçadas.


Se a intenção da Globo

É de nos "emburrecer"

Deixando o povo demente

Refém do seu poder:

Pois saiba que a exceção

(Amantes da educação)

Vai contestar a valer.


A você, Pedro Bial

Um mercador da ilusão

Junto a poderosa Globo

Que conduz nossa Nação

Eu lhe peço esse favor:

Reflita no seu labor

E escute seu coração.


E vocês caros irmãos

Que estão nessa cegueira

Não façam mais ligações

Apoiando essa besteira.

Não deem sua grana à Globo

Isso é papel de bobo:

Fujam dessa baboseira.


E quando chegar ao fim

Desse Big Brother vil

Que em nada contribui

Para o povo varonil

Ninguém vai sentir saudade:

Quem lucra é a sociedade

Do nosso querido Brasil.


E saiba, caro leitor

Que nós somos os culpados

Porque sai do nosso bolso

Esses milhões desejados

Que são ligações diárias

Bastante desnecessárias

Pra esses desocupados.


A loja do BBB

Vendendo só porcaria

Enganando muita gente

Que logo se contagia

Com tanta futilidade

Um mar de vulgaridade

Que nunca terá valia.


Chega de vulgaridade

E apelo sexual.

Não somos só futebol,

baixaria e carnaval.

Queremos Educação

E também evolução

No mundo espiritual.


Cadê a cidadania

Dos nossos educadores

Dos alunos, dos políticos

Poetas, trabalhadores?

Seremos sempre enganados

e vamos ficar calados

diante de enganadores?


Barreto termina assim

Alertando ao Bial:

Reveja logo esse equívoco

Reaja à força do mal

Eleve o seu coração

Tomando uma decisão

Ou então: siga, animal.





Até a próxima!