Quanto mais eu rezo...

Foto do citado cidadão

O senhor Joaquim Barbosa
Supremo chefe do Supremo...

Como se dizia antigamente: “quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece!”.

No artigo da semana passada indiquei que continuaria minha exposição de ideias sobre liberdade de opinião e expressão essa semana, pois o artigo de então estava se alongando muito. Com textos muito extensos, fico com a impressão de que a atenção se dissipa, a concentração se esvai e não se aprofunda devidamente o tema enfocado.

Entretanto, saindo do nada, surge a novidade que me causa amargor e sentimento de impotência: o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, resolve “aproveitar” suas férias na França (onde milhões de brasileiros vão anualmente, não é, senhor ministro?) para “ganhar” mais alguns trocados às nossas custas: vai dar palestras e se sente no direito de cobrar diárias, totalizando módicos 14 mil reais, do cidadão brasileiro! Argumenta que as citadas são de interesse público. Interesse de qual público, senhor ministro? Do público brasileiro, que está também passeando aí na França e vai assisti-lo? E que falta de pudor é esta de dizer que R$14.000,00 é uma bobagem?

A página de “O DIA” relata:

França - O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, disse ontem em Paris (N.B.: 22/01/2014 *) , onde está em viagem de férias, que considera “uma tremenda bobagem” a discussão em torno dos R$ 14 mil que receberá do Tribunal para fazer palestras na Europa.

Ele argumenta que receberá o pagamento de 11 diárias, mesmo estando de férias, porque seus compromissos são de interesse público. E porque, ao fazer palestras e conceder entrevistas a jornalistas, estará representando o Poder Judiciário brasileiro no exterior.

foto página eletrônicaSenhor ministro, como dizem os advogados, “com todo o respeito” o senhor NÃO me representa. E além do mais, queria ter poder para repreendê-lo por não respeitar a legislação trabalhista. Qualquer servidor público, para receber diárias nas férias, primeiramente precisa suspendê-las! Ninguém recebe diárias durante as férias, sob pena de ser condenado a devolvê-las integralmente.
Por que sua senhoria é melhor que nós, demais brasileiros? A lei não é igual para todos? Por que nós não podemos e o senhor pode?

Retomando a história da liberdade de expressão e liberdade de imprensa, interrompida no artigo anterior, acredito que há um desvio de fundo quando se mistura cidadania com poder econômico. Cada cidadão tem direito a um voto, independente de sua conta bancária. Mas a conta bancária de certos cidadãos lhes permite serem proprietários de jornais, revistas, rádios, televisões e tantos outros recursos de manipulação da informação que chega ao cidadão menos provido.

Partindo desse pressuposto, não acho justo a opinião de alguns ter imensamente maior divulgação que a de outros! Então é necessário controlar, sem cair na tentação da censura, para que as distintas opiniões e versões de fatos sejam igualmente disponibilizadas à sociedade. Liberdade de imprensa pura e simples é permitir ao poder econômico manipular fatos e visões a seu critério!

No próximo artigo vou tentar alinhavar isto dentro da constituição, se me permitem.

(*) N.B.: Nota do Blogueiro.




Até a próxima!