Uma copa sem os Santos do nosso futebol

Garrincha

astros do nosso futebol
que desejamos cada vez mais arte e espetáculo!


Esse ano temos copa do mundo de futebol, o que por si só já estigmatiza o ano, e além disso, como já extremamente badalado, vai ser no Brasil. Ótimo o jargão “O futebol está voltando para casa”, embora ele daqui nunca tenha saído.

Aliás, é pouco dizer que futebol é uma paixão nacional. Assim como o DNA nos orienta a correr do perigo, acho que o brasileiro tem no DNA o apreço e a “liga” com o futebol. Basta acompanhar o futebol ao longo do século XX no mundo: inúmeras escolas, diversos expoentes, mas o único país que transformou esse esporte em arte foi o Brasil!

E não é só isso: de onde vem o maior jogador de todos os tempos, o atleta do século? Do Brasil. Conhecido mundialmente, badalado até os dias de hoje, dando pitaco daqui e dalí, tido como “o atleta do século”, Pelé inebriou multidões e deu ao Brasil glórias inesquecíveis.

Na seleção de todos os tempos indicada pela FIFA, só o Brasil tem 4 representantes: além de Pelé, tem Garrincha, Djalma Santos e Nilton Santos – os Santos de nosso futebol, que nos deixaram ano passado (Garrincha, falecido em 1983, também era Santos: Manuel Francisco dos Santos). Depois vem Inglaterra, onde se originou o esporte, com dois representantes (Bobby Charlton e Bobby Moore) e França (Michel Platini), Holanda (Johan Cruyff), Alemanha (Franz Beckenbauer) e União Soviética (Lev Yashin, goleiro mundialmente conhecido como “aranha negra” ou “pantera negra”) com um cada. Pode haver divergências em relação aos demais nomes, mas nenhuma divergência em relação aos brasileiros!

Infelizmente a imprensa brasileira fala muito de bola que não entrou, penalty que não existiu, impedimento que o bandeirinha não viu, e fala pouquíssimo da nossa tradição, da nossa história, da nossa criatividade com a bola nos pés! Pergunte a um atleta de hoje quem foi Djalma Santos? Ou Nilton Santos? Ou Leônidas da Silva? Dificilmente ele vai saber responder.

Pelé dispensa comentários. Talvez o único, por estar circulando por aí e ser considerado o “rei do futebol”, que a garotada tem referência. Garrincha, um ou outro ouviu falar. Só digo o seguinte: na minha opinião Garrincha era tão bom, mas tão bom nos dribles, que se tivesse jogado na seleção de 70, além de ganhar a copa daquele ano o Brasil teria ganho também a de 74 por antecipação!!! Claro, imagem figurada, mas traz a dimensão do “estrago” que faríamos nas defesas adversárias. Merece a transcrição do texto que lhe dá a Wikipédia :

“Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha ou simplesmente Garrincha (Magé, 28 de outubro de 1933 — Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 1983) foi um futebolista brasileiro que se notabilizou por seus dribles desconcertantes apesar do fato de ter suas pernas tortas. É considerado por alguns o maior jogador de futebol de todos os tempos e o mais célebre ponta-direita da história do futebol. No auge de sua carreira, passou a assinar Manuel dos Santos, em homenagem a um tio homônimo, que muito o ajudou. Garrincha também é amplamente considerado como o maior driblador da história do futebol.

Garrincha, "O Anjo de Pernas Tortas", foi um dos heróis da conquista da Copa do Mundo de 1958 e, principalmente, da Copa do Mundo de 1962 quando, após a contusão de Pelé, se tornou o principal jogador do time brasileiro. A força do seu carisma ficou marcada rapidamente nas palavras do poeta de Itabira, Carlos Drummond de Andrade, numa crônica publicada no Jornal do Brasil, no dia 21 de janeiro de 1983, um dia após a morte do genial Garrincha:

Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.“

Carlos Drummond de Andrade

Djalma Santos, para quem ouve falar pela primeira vez, foi eleito pela FIFA como o maior lateral direito de todos os tempos. Participou de quatro copas do mundo pela seleção brasileira: 1954, 1958, 1962 e 1966. Terminou a carreira sem NUNCA ter sido expulso. Segundo a revista Placar, "Ele nasceu para ser o maior. Sua biografia é uma coleção de vitórias técnicas e morais. Um monumento de simplicidade e modéstia". Jogou pela Portuguesa (434 jogos), Palmeiras (498) e Atlético Paranaense (32) até aos 42 anos de idade.

Nilton Santos, que também nos deixou ano passado, ficou conhecido como “a enciclopédia do futebol” tamanho seu conhecimento sobre o trato com a bola. Nílton Santos sempre jogou no Botafogo. Foi eleito pela FIFA como o melhor lateral esquerdo de todos os tempos. Integrou o plantel da seleção brasileira nos campeonatos mundiais de 1950, 1954, 1958 e 1962, tendo sido bicampeão nas duas últimas. Realizou 729 partidas pelo Botafogo e 75 pela seleção brasileira.

O ano de 2013 também teve a comemoração do centenário de nascimento de outro monumento do futebol brasileiro, inventor da bicicleta nos gramados: Leônidas da Silva. A primeira vez que Leônidas executou essa jogada foi em 24 de abril de 1932, em uma partida entre Bonsucesso e Carioca, com vitória do Bonsucesso por 5 a 2. Já pelo Flamengo, realizou a jogada somente uma vez, em 1939 contra o Independiente, da Argentina, que ficou muito famosa na época. Na Copa do Mundo de 1938 ele também realizou a jogada, para espanto dos torcedores, e o gol foi anulado pelo juiz que desconhecia a técnica. O apelido de "Diamante Negro" foi dado pelo jornalista francês Raymond Thourmagem, da revista Paris Match, maravilhado pela habilidade do brasileiro. Já o apelido de "Homem-Borracha", dado pelo mesmo jornalista, foi devido a sua elasticidade. Anos mais tarde a empresa Lacta homenageou-o, criando o chocolate "Diamante Negro", vendido até hoje. A empresa só pagou dois contos de réis à época (o equivalente a R$ 112 mil, aproximadamente), sendo que Leônidas nunca mais cobrou nada pelo uso da marca.

Não foram só esses: Didi, criador da “folha seca”, chamado por Nelson Rodrigues (dramaturgo e torcedor fanático do Fluminense) de "O Príncipe Etíope de Rancho" . Com classe e categoria, foi um dos maiores médios volantes de todos os tempos, um dos líderes do Fluminense entre o final da década de 1940 e meados da década de 1950 e também do Botafogo. Rivelino, conhecido como “A patada aatômica”. Jairzinho, o “furacão da copa”, em 1970. Gérson, o “canhotinha de ouro”. Sócrates, Zico, Domingos da Guia e seu filho, Ademir da Guia, Falcão...

Se continuarmos relacionando nossos gênios do futebol, vamos ficar no tema até a copa. Sim, são tantos, tantos, que sempre se descobre mais um que por alguma razão não se projetou, ou não recebeu o devido crédito. E pouco os conhecemos, pouco sabemos da nossa história futebolística (principalmente os mais jovens) e um dos pilares de nossa cultura. Mas, como falei em um dos últimos artigos desse blog no ano passsado, 2013 foi o ano em que nosso futebol ficou sem os Santos – Nilton e Djalma. Como eles, tantos outros já nos fazem falta na graça e na arte que introduzimos no esporte, e que esperamos sejam recuperadas na copa em casa.



Até a próxima!