Pela liberdade de expressão!

Liberdade de expressão

No México, cresce o controle
sobre os meios de comunicação!


Hoje, dia 24 de março de 2014, assisti ao “Bom Dia, Brasil”, da rede Globo.

Talvez por estar de férias, talvez só por implicância com a emissora, sei lá.. rs. Também tenho meus tiques nervosos, reconheço.

Duas ou três vezes o digníssimo senhor Chico Pinheiro anunciou: “Petrobrás deixa de cobrar dívida da Venezuela em obras de construção de refinaria.”

Todos somos contra a corrupção, e não podemos admitir que uma empresa do governo, ainda mais do porte da Petrobras, uma das maiors do mundo, quase privatizada por Fernando Henrique quando presidente (não deu tempo, por isso não privatizou...), empresa responsável pela geração de mais de metade de nossa enregia consumida, seja utilizada para falcatruas por qualquer governo!

Juntei meu restinho de paciência, peguei mais um café, olhei o tempo chuvoso e arranjei um argumento para não ir logo para a rua, e assim fiquei aguardando a notícia.

Veio o futebol, veio avião desaparecido (dois, por sinal: um na Malásia e um no Brasil), e por fim a notícia: na construção de refinaria da Petrobras em Pernambuco, acordo contratual entre hugo Chavez e Lula, quando presidente, permitiria à Petrobras cobrar indenização da Venezuela por descumprimento de cláusula contratual.

Que absurdo, logo se pensa. Mas a safadeza é tanta que o apresentador logo acrescenta: “Mas o contrato nunca chegou a ser assinado”.

Acho que “safadeza” é pouco para classificar um comportamento de tal tipo! Como anunciam um fato que não ocorreu? Qual a intenção da emissora? Por que criar esta sensação de incompetência e má gestão, para depois dizer que não foi bem assim? Seria se tivesse sido, mas não foi?

Realmente não dá para ser paciente com essa emissora! Quem quiser, pode acreditar nela. Notícia é uma coisa, opinião é outra! Notícia é fato, opinião é interpretação do mesmo! Defendo ferrenhamente a liberdade de opinião, mas empresas não devem ter liberdade, somente cidadãos.

De minha parte, acho que devemos seguir o exemplo do México. Para ilustrar, abaixo transcrevo artigo publicado por  Altamiro Borges em seu blog:

Até o México peita os barões da mídia

Nos últimos anos, o México virou o queridinho da mídia colonizada. Servil aos EUA e comandado por forças direitistas, ele seria o contraponto aos governos mais à esquerda da América Latina e aos projetos de integração soberana da região. Toda esta paixão, porém, deve sofrer fortes abalos. Nesta semana, a agência reguladora de telecomunicações do México aprovou um projeto que obriga o principal império midiático do país, o Grupo Televisa, a se desfazer de parte dos seus negócios. A empresa terá de compartilhar a sua infraestrutura com outras companhias e perderá o direito à exclusividade nas transmissões de eventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Será que a mídia colonizada do Brasil rotulará o governo mexicano de “chavista” e “comunista”?

A medida aprovada pelo Instituto Federal de Telecomunicação (Ifetel) visa estimular a concorrência neste setor estratégico e reduzir o monopólio da Televisa, que atualmente controla 70% do mercado – outros 30% estão nas mãos do Grupo Azteca. O objetivo explícito é o de reduzir o poder destes grupos midiáticos, que colocam em risco a frágil democracia do país. Segundo a edição brasileira do jornal espanhol El País, o projeto aprovado representa “um duro golpe” nos monopólios e “pode causar uma reviravolta no panorama televisivo do país”. A direção do Grupo Televisa está atordoada e já anunciou que tomará todas as medidas legais para defender o seu “modelo de negócios” e a “liberdade de expressão” – a mesma conversa fiada dos barões da mídia nativa.

Além de proibir a Televisa de oferecer com exclusividade conteúdos “que no passado geraram altos níveis de audiências”, como torneios nacionais de futebol, finais de Copas do Mundo ou Olimpíadas, e de obrigá-la a conceder sua infraestrutura aos concorrentes através de uma tarifa pública e negociada, o projeto ainda determina que o grupo deverá fornecer toda a informação que for solicitada pela Ifetel, incluindo os dados sobre tarifas publicitárias. Imagine se estas medidas fossem aplicadas no Brasil! A TV Globo não sobreviveria por muito tempo! Ela seria obrigada a divulgar, pelo bem da transparência pública, os dados sobre o Bônus de Volume, o famoso BV, que nutre o esquema de suborno e propina entre a emissora e as agências de publicidade no Brasil.

As mudanças no México não se limitam às concessões públicas de televisão. Há vários meses, o Ifetel também investiga a empresa América Móvil, do magnata Carlos Slim, que controla 84% do mercado de telefonia fixa e de internet no país. Já numa parceira com a empresa de telefonia celular Telcel, o grupo domina 70% do setor. “Tanto a América Móvil como Televisa são de propriedade de dois mexicanos que integram a lista Forbes dos homens mais ricos do planeta. Carlos Slim, até este ano o homem mais rico do mundo, ocupa agora o segundo lugar com uma fortuna de 72 bilhões de dólares (168,54 bilhões de reais). Emilio Azcárraga, proprietário do Grupo Televisa, é o número 663, graças aos seus 2,6 bilhões de dólares (6,06 bilhões de reais)”, relata o jornal El País.

“A ação do instituto regulador contra ambos os grupos é o primeiro passo da ‘reforma das telecomunicações’, impulsionada no ano passado pelo presidente mexicano Enrique Peña Nieto, que seus críticos batizaram durante a campanha eleitoral como ‘o candidato da Televisa’, pelo suposto apoio que teria recebido dessa emissora de televisão. A lei, que inclui uma reforma constitucional, foi aprovada em junho de 2013 e contou com o apoio dos principais partidos da oposição, PAN (de direita) e PRD (de esquerda)”. Apesar dos atrasos e entraves, as mudanças neste setor estratégico estão em curso no México – assim como no Reino Unido da “bolivariana” Rainha Elizabeth II. Já no Brasil, o governo Dilma Rousseff não tem coragem para enfrentar os perigosos barões da mídia!



Até a próxima!