Getúlio Vargas

Getulio Vargas e assessores

Getúlio Vargas após o golpe de 1930.


O dia 24 de agosto de 2014 marca o 60º ano do suicídio de Getúlio Vargas.

Lembro, quando eu era criança, que minha mãe abominava a atitude de Getúlio, argumentando ser pecado alguém tirar a própria vida. Mas Getúlio era admirado pela família, desde meu pai, até meu avô materno, Duca, como era chamado, e minha avó paterna, Aurora. Aliás, vovó Aurora era extremamente interessada em política, conhecendo seus personagens, argumentando prós e contras, colecionando ”Fatos e Fotos” e “Manchete” com os principais acontecimentos da vida política. Vibrou com o golpe militar de 64, argumentando que finalmente o perigo do comunismo – aquele regime que, dizia ela, impedia as pessoas de cultuarem seu deus – havia sido afastado do Brasil.

Meu pai, além de admirador de Getúlio, era envolvido com o Doutor Argilano Dario, como ele chamava, e em períodos eleitorais não raro chegava em casa tarde da noite – aqui vale lembrar que não havia ônibus noturno para a Ilha das Caieiras nas décadas de 50 e 60, o que exigia que retornasse a pé ou alguém o levasse em casa de automóvel - participando de comícios e atividades eleitorais. As vassourinhas de Jânio eram enfeite obrigatório em nossas camisas, e desfilávamos garbosos com o adereço quando saíamos. Chorou muito à noite quando Jânio renunciou, segundo relatava minha mãe.

Já meu avô materno, mais calado, mais introvertido em relação à política, procurava votar em quem tinha mais chances, “para não perder o voto”, como já explicava minha mãe.

O fato de Getúlio haver se suicidado não me trazia maiores elementos quanto aos motivos que o levaram a tanto, e sequer acompanhei tal episódio, pois na época tinha pouco mais de um ano de vida. Somente com o tempo descobri que ele havia sido ditador, de 1930 a 1945, assumindo o poder após um golpe em reação à eleição de Júlio Prestes. Depois foi eleito presidente pelo voto direto, para o período 51 a 54. O período de sua administração como ditador, de 30 a 45, foi conturbado, fazendo concessões ao nazi-fascismo, na Europa, com o qual simpatizava, mas adotando políticas de proteção aos trabalhadores, como a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), inspirada na “Carta del Lavoro”, de Benito Mussolini.

Deposto em 1945, ao fim da Segunda Guerra Mundial, por um golpe de estado, retorna em 1951, através do voto popular, para suicidar-se em 24 de agosto de 1954. Seu suicídio não ficava claro para mim, até que recentemente descobri, nos mais recentes livros dos historiadores, que ele foi pressionado a renunciar, sob ameaça de não o fazendo, ser deposto através de outro golpe militar, golpe este abortado pelo seu suicídio, que criou clima contrário ao mesmo. Muitos diziam, inclusive, na minha família, que ele não havia cometido suicídio, mas sido assassinado pelos adversários políticos.

Além de tudo, muito curiosa esta história do Brasil - e nossa democracia! Cheia de ti-ti-tis...




Até a próxima!