Manchetômetro

gráfico comparativo

Viva a democracia!

É típico o exemplo do copo com água até a metade: os otimistas o vêem meio cheio, e os pessimistas meio vazio. Entretanto, quando a grande imprensa quer manipular, quer estimular a visão, pela clientela, do tipo de observação que melhor atende à imagem que quer transmitir, não se furta a encher metade ou tal parte esvaziar nas notícias que veicula. Não sejamos ingênuos: se queremos estimular o desânimo e o pessimismo, podemos até transmitir a informação corretamente, dizendo que o copo contém metade de água, porém fazendo-o de forma a estimular o aspecto que melhor atende: "COPO AINDA METADE VAZIO". Mas tal manchete também poderia ser: "COPO JÁ METADE CHEIO".

Quanta diferença faz um "já", sem interferir mecanicamente na medida! Anima, diferentemente de estampar a manchete "COPO AINDA METADE VAZIO".

Nessa segunda alternativa, desânimo, abatimento! Ambas as manchetes são precisas, do ponto de vista da medida, porém totalmente opostas, do ponto de vista de interferência na interpretação pela população e na sua subjetividade.

Se o foco é o conteúdo do copo, fique-se repetindo insistentemente o aspecto que queremos estimular, e teremos a máxima do nazismo estabelecida por Goebbels: "Uma mentira, de tanto repetida, torna-se verdade."

Para melhor caracterizar esta postura dos meios de comunicação, modernamente chamadas de "mídias de massa", a Universidade do Estado do Rio de Janeiro criou um grupo de acompanhamento das manchetes apresentadas pela imprensa. A esse levantamento, apresentado a quem interessar através do endereço eletrônico http://www.manchetometro.com.br, o grupo analisa qual a perspectiva que é adotada pelos meios de comunicação em relação aos candidatos que disputam a presidência.

Na minha opinião, este é apenas um lado do problema. Sim, problema, pois na medida em que a mídia procura incutir a perspectiva de seus dirigentes em sua clientela, está moldando a opinião pública para o lado que lhe interessa! E a quem interessa a opinião que a mídia quer transmitir?

O outro lado do problema, já identificado por muitos e agora escancarado pela ex-âncora do SBT Carol Castelo Branco é a interferência que é feita no tema em si, e não somente na perspectiva de sua observação. Em bom português, há manipulação de informação por parte da mídia! No exemplo do copo d'água: ou eles escondem e sequer noticiam que o copo está pela metade, ou dizem que o copo não consegue ser enchido, por exemplo. São duas possibilidades - dentre muitas - de manipulação.

A entrevista com Carol nada tem a haver com manipulação, mas com a gravidez dela (detalhes no artigo publicado pelo iG, alcançado clicando-se AQUI). Ela conta que não esperava ficar grávida, mas com os desdobramentos da gravidez resolveu lançar um programa estilo "Reality Show" acompanhando a mesma.

Como foi apresentadora do JORNAL SBT MANHÃ comentou que nunca mais pretende fazer esse tipo de trabalho, pois a TV aberta no Brasil manipula e desinforma seus telespectadores!

Bombástica revelação, que para muitos passa despercebida! Recebemos informações manipuladas pelos noticiários da TV brasileira! Deturpam as notícias, repassam o que bem entendem, e nós ainda ficamos com aquela cara de idiota: "Ah, é, é?"

Na matéria, Carol fala com todas as letras:

"É muito forte o que vou dizer, mas é o que penso: o jornalismo brasileiro presta um desserviço ao cidadão. Não acredito e não concordo mais com o telejornalismo de nenhuma emissora de canal aberto no Brasil, tem muita política no meio e os telespectadores nem fazem ideia porque não têm informação. Cheguei a ter matéria de denúncia que demorei um mês para fazer simplesmente impedida de ir ao ar. Isso não é correto e não quero mais passar por isso".

Manchetômetro é café pequeno para tratar com tamanho descaramento destes salafrários que manobram os noticiários!

Não vou estragar a surprêsa de ninguém: aos interessados em conhecer tal perspectiva, revelo aqui o endereço onde as análises podem ser observadas.

(*) Manchetômetro: Segundo eles mesmos, "O Manchetômetro é um website de acompanhamento diário da cobertura das eleições 2014 na grande mídia, especificamente nos jornais Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S. Paulo, e no Jornal Nacional, da TV Globo. O Manchetômetro é produzido pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP), grupo de pesquisas com registro no CNPq, sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O Manchetômetro não tem qualquer filiação partidária ou com grupo econômico."




Até a próxima!