Ainda o carnaval - mas da imprensa!

Jornal após atentado

Situação da frente do jornal CHARLIE HEBDO
após o atentado de janeiro em Paris.

Tenho repetido e insistido: precisamos ter muito cuidado com nossa imprensa, seja escrita, falada ou televisada.

Assim dizíamos antigamente.

O anjo bom, ao meu lado, logo vem com seus pitacos:

-- "Nossa" de quem, cara pálida? Você tem alguma imprensa, salvo este seu blogue mau arrumado e de pernas tortas, que nem adotou ainda as novas convenções da Internet?

E me pede esclarecimentos:

-- E a qual antigamente você se refere? Ao "cuidado com a imprensa" ou ao "escrita, falada e televisada"?

Não tenho como não dar razão ao meu anjo bom, e esclareço que o "antigamente" citado refere-se ao "escrita...". Hoje se usa o termo "mídia". Então vamos colocar as coisas em linguagem apropriada: precisamos ter muito cuidado com essa mídia que tenta nos impingir suas opiniões e conceitos, como se dona da verdade fosse!

Na minha opinião, a liberdade de expressão é sagrada! Ninguém pode ser impedido ou coagido de/a expressar suas opiniões e idéias, salvo contrariem a lei. Mas a liberdade de imprensa é falaciosa: quem tem dinheiro ou propriedade de meios de comunicação pode transmitir fatos distorcidos, repetir exaustivamente apenas uma parte do fato, enfim, manipular como bem entender para influir na opinião da clientela! Para a mídia, na minha opinião, é preciso estabelecer regras claras para não haver distorções e manipulações de fatos, como temos visto descaradamente em nosso país!

Já apresentei aqui várais situações onde isto tem acontecido, e recentemente me deparei com mais um: a constatação foi apresentada pelo Jornal do Brasil, que já foi impresso e hoje encontra-se exclusivamente pela Internet.

Em sua edição de 29/01/2015, o Jornal apresentou a análise do balanço da Petrobrás, recém divulgado. No contexto, citou diversas manipulações promovidas pela imprensa em relação ao dito balanço:

.... A repercussão do balanço em grandes veículos foi criticada. Artigo do jornalista Paulo Nogueira, por exemplo, intitulado, "O festival de asneiras em torno dos 88 bilhões de reais da Petrobras", desaprova, entre outras coisas, uma entrevista da CBN com um economista, para falar sobre “88 bilhões em desvios”. "Pobres ouvintes da CBN. Uma rádio competente jogaria luzes onde há sombras. Mas a CBN cobre áreas cinzentas com ainda mais sombras", alfinetou.

Outros, como J. Carlos de Assis, já vinham criticando a metodologia da imprensa para analisar as contas da Petrobras: "O 'Jornal da Globo' de ontem, terça-feira, ultrapassou todos os limites da manipulação no sentido de execrar com a Petrobras através de uma análise distorcida de fatos e estatísticas. Os dois comentaristas tomaram por base valor de mercado, comparando-o com dívidas, para sugerir que a empresa está quebrada. É puro charlatanismo, economia de botequim, violação das mais elementares regras de jornalismo sério." O site da Folha de S. Paulo, na tarde de ontem, inclusive, mesmo após sua errata, veiculava post com o título, "O que você faria com R$ 88 bilhões?".

O "Observatório da Imprensa", página eletrônica de notícias e análises da mídia, publica artigo do jornalista Luciano Martins Costa, intitulado "A MÁQUINA DE FORJAR NOTÍCIAS" onde ele declara, ao final:

... A mídia tradicional ignora o histórico da corrupção e trata de amplificar qualquer suspeita sobre personagens ligados de alguma forma ao governo. O caso do geólogo Guilherme Estrella, ex-diretor de Exploração da estatal, é exemplar: a acusação que lhe foi feita pelo Jornal Nacional, da TV Globo, ganhou destaque imediato; o desmentido e o pedido de desculpas da emissora foram praticamente ignorados pela mídia.

É assim que funciona.

A matéria pode ser lida AQUI.

Como mostrado, agora e em alguns outros artigos, o donos do poder da comunicação fazem verdadeiro carnaval sobre a reprodução dos fatos. Fantasiam como bem entendem! E esbravejam defendendo a liberdade de imprensa. Claro, a imprensa é deles para mentirem como bem entenderem...

É preciso colocar regras se queremos de fato conhecer a verdade dos fatos! Sem censura, mas com regras, para o poder econômico não manipular nossas consciências!



Até a próxima!